O gato comeu a língua do aquecimento global. E ele ficou tímido que só.
Brrrr. Que frio.
O gato comeu a língua do aquecimento global. E ele ficou tímido que só.
Brrrr. Que frio.
Virei cleptomaníaca. Ando viciada em roubar frases.
Roubar não, vai…
Pegar emprestado.
Melhor site de agência do momento. Simples e genial. Ponto para a West Wayne.
Pare de chamá-los de consumidores, eles são pessoas.
Do tipo ah-como-eu-queria-ter-tido-essa-idéia.
Via Shedwa.
CAMILA diz: cortou a peruca?
Marina diz: cortei!e fiz umas mechas vermelhas
CAMILA diz: mentira!
Marina diz: verdade!
CAMILA diz: duvido
Marina diz: quer pagar quanto?
CAMILA diz: mas que tom de vermelho?
CAMILA diz: se for vermelho bem escuro quase marrom que só aparece com a luz do sol, não vale
Marina diz: ‘fucking vermelho’
Marina diz: descolori a mecha, ficou que nem a Xuxa, depois pintei de vermelho em cima
CAMILA diz: qual o pantone?
Marina diz: sei lá eu. a tinta tinha cor de ketchup
Marina diz: mas tá discreto, são mechas internas!
CAMILA diz: ahhh tira uma foto aí e manda
Marina diz: ah, passa amanhã
A toalha não seca. O ar que você respira consegue congelar a única parte quente do seu corpo, a interna. Tudo parece mais escuro. O vidro perde a transparência e fica embaçado, assim como as pessoas. É mais fácil se esconder no frio. Ele vira resposta para tudo. Não fez nada ontem? Ah, não, muito frio. Vamos sei-lá-onde? Ih, tá frio demais. Tudo fica monocromático, escondido e gelado.
Calma, esse não é um post pré-suicídio. Eu simplesmente não gosto de frio. Tem que usar muita roupa, uma em cima da outra. Tenho aflição de não ter acesso ao próprio corpo. Já repararam? Você usa tanta coisa para se cobrir que não encosta na própria pele. Talvez o único momento bom do frio é quando você está embaixo de um belo cobertor, como este que eu emprestei do Weno. Aí sim você pode sentir um mínimo de conforto. O problema é que, se você sair na rua de cobertor, a coisa fica estranha. Ou você virou mendigo, ou você acabou de voltar do Peru com um poncho ou você é esquisito mesmo. Fora que cobertor não funciona muito em lugares ventilados, porque sempre tem aquele pedacinho que entra um pouco de ar frio. Maldito pedacinho que sempre coincide com a parte do seu corpo que está carente de qualquer tecido que não seja a sua pele. Ai ai.
Outro problema que tenho com o frio é o das cores. Minhas roupas são todas coloridas. E eu adoro elas assim. Mas como eu ando brincando em ambientes corporativos, tenho que pensar duas vezes antes de me colorir. No verão, você costuma usar duas peças (saia e blusa, calça e blusa, sei lá). Até aí, tudo tranqüilo. Mas no inverno, a chance de você exagerar nas peças fica muito maior, porque usa muito mais coisa. É blusinha embaixo, malhinha por cima, malha pesada mais em cima, casaco, calça, meia, meia-calça. Ou seja, momento propício para seu look ser, praticamente, uma escala pantone.
Mas o frio há de passar logo, depois de muito vinho, sopa e aqueles aquecedores de restaurante que dá vontade de ter em casa. Enquanto isso, só me resta cantarolar Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria, que se possa imaginar – ou, como disse o Weno – amanhã, será muito frio…
- Garçom, me vê um horário de verão, pufavô?
Muita gente não sabe, mas há 14 anos atrás eu comecei a sapatear. Desde então, nunca mais parei. É fato que a intensidade oscilou, mas a vida é assim. Não é para sempre que você vai poder ver Chaves depois do almoço e dormir até a hora de ir para a aula de dança. De qualquer jeito, o fascínio pelo movimento dos pés ainda é forte. Quando vejo sapateado parece que sobe um negócio, um brilho, um arrepio. Aquela frase na cabeça que fica repetindo: que irado.
Hoje, 25 de maio, é dia do sapateado. Mais precisamente, dia do nascimento do Bojangles, o Bill Robinson. Bojangles começou a dançar com 6 anos e marcou a história com seus pés negros. Aliás, a famosa cena que Shirley Temple protagoniza ainda criança é na companhia de nada mais nada menos que Bojangles.

Bojangles e Shirley Temple eram adeptos do sapateado americano, a mesma linha que eu sigo. Na verdade, a linha mais famosa, a que todo mundo identifica como sapateado. Mas o sapateado possui variações. O sapateado americano tem como origem um mix de tamancos holandeses com a percussão africana e utiliza sapatos de madeira com chapinhas de metal. Já o irlandês usa sapatos de madeira sem chapinha e possui uma postura marcante e bem rígida. O flamenco é um sapateado espanhol, com sapatos de madeira sem chapinhas também (com exceção de dançarinos que utilizam um metal só no calcanhar). São técnicas bem distintas. Se me jogarem numa aula de irlandês ou de flamenco, tenho certeza que o choque vai ser grande.
Outros tipos de sapateado são o boot dance e as danças circulares brasileiras. O boot dance é uma técnica que surgiu na África, feita com botas de borracha – que nem aquelas galochas que você usava quando era criança. As danças circulares brasileiras também são influenciadas pelo sapateado, seja em ritmo de coco, baião, maracatu, cavalo marinho, jongo e por aí vai. Normalmente são feitas com os pés descalços ou com sapatinhos leves. Acho que conflitam mais com as três técnicas que apresentei acima por serem feitas em direção ao chão, enquando as outras podem ser feitas ‘pensando para cima’. Lembro de ter visto uma farra do boi na Paraíba com um belo sapateado. Eu estava sentada no chão, maravilhada com aqueles pés todos juntos fazendo som e empoeirando as faixas coloridas das roupas.
Bom, já falei escrevi demais. Agora, como comemoração, deixo uma cena de duelo que eu adoro entre negros do sapateado americano e brancos do sapateado irlandês. Sou suspeita para falar, mas tirem suas próprias conclusões sobre cada técnica:
[video]http://www.youtube.com/watch?v=ShgAXNHIEbs[/video]
Para quem ainda não overdosou, essa compilação de cenas é linda. Vale a pena curtir cada passinho e performance. E para quem não overdosou e, ao contrário, se empolgou muito, deixo uma dica preciosa. A Cia Vatá, comandada pela cearense Val Pinheiro, fará shows em São Paulo de 12 a 14 de junho. Pense numa mulher que sapateia muito bem do tipo que dá-aula-em-Nova-Iorque. Agora pense que essa mesma mulher é filha de mestre de reizado, ou seja, praticamente o símbolo da cultura de raiz brasileira. Junte a essas duas características um tiquinho de insanidade e muita paixão. Pronto, essa é a Val Pinheiro. Já tive aulas com ela, mas nunca vi o espetáculo ao vivo. Ou seja, sigam me os bons.
Menino muito fofo cantando e dançando rap. Me lembrei de um outro meninote que era um belo dançarino. Dei uma aula de sapateado para ele e o cara dançava tão bem, mas tão bem, que eu quase desencanei da aula para curtir o menino improvisando. Mas não adianta, por mais talentoso que um branco-ou-amarelo-ou-vermelho for, ele nunca vei ter a ginga de um negro. A polaca aqui então, só pode ficar admirando e, confesso, com uma pontinha de inveja.
A cidade que nunca para resolveu parar as pessoas. A ‘lei dos cabarés’, de Nova Iorque, impede que as pessoas dancem em estabelecimentos destinados a comes e bebes. É ilegal levantar e mexer o corpo de acordo com algum ritmo em lugares onde três ou mais pessoas estão comendo ou bebendo. Isso só será permitido em locais que tenham a licença da dança (mais uma vez, adoraria conseguir fazer as caras do Chandler para reagir a isso). Como assim???
Ainda bem que a indignação não é só minha. Foi criada a NYC Dance Parade, como forma de protesto à cabaret law. A parada envolveu diversos tipos de dança, incluindo salsa, disco, sapateado americano, sapateado irlandês, hip hop, swing, tango, ballet, break dance, samba e por aí vai.
[video]http://www.youtube.com/watch?v=t92YqVArwDo[/video]
Não sei se adiantou – e tô com preguiça de pesquisar. Mas eu adoraria ter participado da Dance Parade. No mínimo, divertido.
Aqui no Brasil, como referência, só conheço a Sapateandança, ‘passeata de sapateadores’ produzida pela Chris Matallo. Aliás, está chegando.
Mais uma pérola para a categoria ‘Frases’:
Em um casamento, tem sempre alguém que manda. O outro é o marido. Por Elaine, em almoço de mulherzinhas.
Ah, a compilação de frases fica aqui.
São Paulo é uma cidade de ninguém. É tão grande, mas tão grande, que parece que ninguém é dono mesmo. Parece que tudo que tem aqui já estava aqui, sei lá como. E aí paulistano tem mania de adotar lugares que sejam abre aspas só seus fecha aspas. É até uma forma de ser um pouquinho mais regional, algo como criar vínculos com aquele pedacinho da cidade.
Eu adoro passar pelo Beco do Batman, na Vila Madalena. Cada dia um desenho novo, uma idéia nova, misturado naquele monte de parede. Fora o gostinho de fazer as curvas vendo detalhe por detalhe. Eu não sei quem pintou aquilo ali. Eu não sei quem projetou aquilo ali. E esses caras também não sabem que eu adotei o lugar. É desse sentimento que eu falo.
Esses dias fui ao Ponto Chic da Av. Paulista. Ponto Chic é a lanchonete com o bauru mais famoso de São Paulo. A combinação de queijos é fora do comum, impossível de ser reproduzida. Ao chegar no Ponto Chic, argumentei que o de Perdizes era mais charmoso, mais antigão, sabe? Mas o mais antigo não é esse, é o do centro, replicaram meus pais. Ora, para mim, que sempre fui ao Ponto Chic de Perdizes, ele é o mais antigo e pronto. Tudo é uma questão de referência, já que paulistano tem mania de adotar a própria referência como lei. Talvez seja a única maneira de deixar a cidade cinza menos impessoal, desmetropolizá-la. Dar um pouco de poesia a isso tudo. Eu adoro o pôr do sol de São Paulo. Acho magnífico. Sempre tem alguém que faz questão de dizer que é tudo poluição. Não me importa. Se a gente não for capaz de enxergar o brilho da cidade, ela é capaz de te engolir bueiro adentro.
Ah, Sampa. Minha boa e velha Sampa. Só minha.