livreto de histórias e achismos

Ando maluca atrás de uns negativos sumidos e, por isso, revirei meu quarto inteiro, com direito a subir na escada e evitar um tombo mega. Impressionante como tem negativos em qualquer canto. Armário, caixinha, agenda, fichário, instrumento, gaveta, cama. Tudo é motivo para ter um negativo ou uma fotinho amassada.

Mas nessas reviradas redescobri algumas pérolas de infância. Uma delas é um livreto que escrevi quando tinha 9 anos, idade-de-terceira-série. Tínhamos que escrever sobre nós mesmos e sobre o universo ao redor: pai, mãe, irmão, avós e amigos. Enfim, aquelas coisas de professora que a gente acha meio babaca mas que, 14 anos depois, funcionam direitinho.

Logo no começo eu digo meu nome, de meu pai, de minha mãe e de meu irmão, e já passo para os animais de estimação. Engraçado que hoje em dia eu não sinto que os bichinhos eram tão presentes assim na minha vida, mas é fato que foi justamente nessa época que meu pai esteve doente e tivemos que largar os mascotes. Eu já tive 4 pintinhos, 2 tartarugas, 6 peixinhos e 2 passarinhos (que dão cria). Diz aí se o que está entre-parênteses não é a melhor informação? Logo depois de falar dos bichinhos, passo para a frase adoro jogar Mario Paint no video game. Então tá. Isso que dá dividir o quarto com irmão homem, cuja descrição acabou sendo super carinhosa: Eu não gostaria de ter mais um irmão, um só me atazanando está bom.

Em seguida, há um título ‘Como foi meu dia das crianças!’. Depois de contar que eu havia ganhado um lixinho para a escrivaninha, chega o momento parte-coração. Conto que meu sonho seria se meu pai pudesse viajar comigo, com minha mãe e com meu irmão. Era uma época de pai recém-transplantado e filhos semi-entendendo o que era leucemia. Pelo menos desde então eu já curtia o lado bom das coisas, finalizando o parágrafo com já que não pode, tudo bem!

Na próxima página vinha a minha avó materna e uma dúvida técnica que minha cabeça optou por resolver assumindo mesmo a ignorância: Não trabalha mais, pelo que eu sei.

E pra finalizar, como era minha vida naquela época: Nas segundas e quartas faço jazz, terça e quinta faço teatro e aos domingos, dança folclórica israeli. Ô vida dura que eu tinha, hein?

3 Comments

  1. De trazer lágrimas para os olhos! Também sou de guardar velharia – e na última vez em que estive no Brasil abri minhas caixas de infância e encontrei tesouros. Saudade daquele tempo, né?! Beijos.

  2. Eu tb descobri uma redação outro dia, feita qdo eu tinha 8 anos. Eu estava quase jogando fora, mas ri tanto com o que estava escrito…
    É por isso que as minhas arrumações levam dias inteeeiros. Não dá pra ver papéis sem ler o que está neles.

  3. Você também tem a impressão de que quanto mais a gente fica velho, mais a gente se lembra (e se apega) a detalhes de infância que nem nossos pais lembram? Louco isso, mas de um jeito bacana, inquisitante.

Leave a Reply

*