em outro andar

10Feb07

Hoje morreu uma criança no outro andar. O menino cego entoou a cantoria e foi super aplaudido. Disse que, quando fosse grande, queria ser palhaço, cantor e bombeiro. A criança do outro andar tinha 7 anos. Uma menina marrenta disse que sabia a minha verdade. Sabia que eu era gente. A mãe da criança do outro andar correu e chorou. Um bebê lindinho estava de costas para a porta, mas sua cabeça persistia virada para os palhaços. Parecia hipnotizado e tinha um sorriso lindo. A enfermeira do outro andar descia muito nervosa. Cantamos, fizemos mágica, dançamos em quase todos os quartos. As mães de um quarto viraram crianças frente aos filhos e soltaram a franga. Os filhos gostaram. A mãe do outro andar perdeu a sua criança. Quatro dentistas visitantes do hospital pareciam felizes ao ver palhaços. Talvez não estivessem acostumados a isso. As pessoas do outro andar não conseguiam estar tão felizes ao ver palhaços. Algo muito maior havia acontecido por lá. Conseguimos arrancar muitos sorrisos hoje no hospital. Mas um sorriso foi levado embora no outro andar.


2 Responses to “em outro andar”  

  1. 1 abelardo

  2. 2 Paula Nigro

    De arrepiar…
    Esse nosso trabalho, MaWá, é lindo e muito louvável. Temos que entender que a morte faz parte da vida. E viver o presente faz parte da vida.
    O palhaço vive o presente!
    E viva a Cremilda e viva todos os palhaços de hospitais!!!
    Obrigada pela emoção.

Leave a Reply



Social Bookmarking

 
vpnMp3 sale