quase a ana maria braga
O feriado começou despretensiosamente no síto de uma amiga. Sítio, grama, piscina, cachorro, aquela coisa bem bucólica. A não ser por um detalhe: essa amiga é mestre cuca (ou seria dadivosa?). Enfim, lá fui eu nas minhas aventuras culinárias.
Na sexta foi o dia da chalá, o pão trançado judaico. De cara adorei a idéia de fazer pão, para brincar com aquela massa que vai-e-vem. O problema é que até chegar no ponto do vai-e-vem, existem etapas a serem, no meu caso, vencidas. A primeira delas foi ver se o fermento funcionou. A explicação era simples: se a água estiver muito quente, ela mata o bicho; se estiver fria, o bicho não acorda. Ou seja, tem que achar o ponto G do fermento. Passada essa etapa, mesmo sem a certeza de ter deixado o bicho na medida, vem o desafio gema-clara. Era necessário separar a gema da clara, aquela composição poética como feijão com arroz e bife com batata frita. É fácil, ela disse, e lá foi a estabanada separar a gema da clara. Pena que isso aconteceu ralo abaixo - tenho certeza que elas se separaram quando caíram lá. Então minha amiga assumiu o ovo e separou bonitinho o amarelo do branco. Veio então a configuração da massa. Não pode somente mexer com os dedos. Existe todo um movimento a ser executado para que a massa fique boa, sem soltar água ou grudar nos dedos. O placar acabou 7×2 para a massa, quando desisti e passei a gosma adiante, antes que não houvesse mais salvação. A única hora em que eu me senti à vontade foi ao trançar o pão. Também, para quem tinha um cabelão que nem o meu antigo, aquela tarefa era a mais tranquila. No fim das contas, o negócio saiu bom:

Já no sábado, a receita era moqueca. Super simples, pega o peixe, junta com cebola, pimentão, tomate e pimenta e deixa assar. Até parece! Quem vê pensa… Comecei cortando os ingredientes todos:

É óbvio que, antes de cortar, tive que colocar um óculos no pimentão vermelho, lembrar da propaganda do Sundown e rir sozinha. Acabado o momento gracinha, piquei mais um pouco das mesmas espécies para fazer o pirão:

Feito o trabalho braçal, era hora do mental. Veja bem, temperar o peixe não é uma coisa tão mecânica assim. Tem que planejar a quantidade de limão, o tanto de pimenta, a pitada de sal e por aí vai. É lógico que nessa hora eu só olhei, já que era um trabalho mais elaborado. Nem briefing tinha. É algo que poderia até entrar num currículo, naquela parte de ‘Domínio de pacote office’. Sugiro algo como ‘Know-how de tempero de peixe, mesmo sem briefing’ ou qualquer coisa do gênero. O bichinho ficou até bonitinho:

Por fim, era só fazer camada de um, camada de outro, camada de um, camada de outro e deixar no fogo. É claro que se fôssemos cozinheiras mais cuidadosas, ficaríamos ao lado do fogão para ver a evolução de tudo. Mas a piscina foi mais forte e nos levou até ela, contribuindo para o ressecamento de tudo e o gostinho especial de queimado no fundo. Mas foto é foto e a gente só enquadra o que quer. Então:

No domingo, aposentamos as panelas e o almoço foi servido por outra pessoa, ligeiramente mais sã que nós. Que fique claro que ninguém comeu mal por lá; só que os temperos ficaram um tanto exóticos para o paladar comum.



Uia! A gorda aqui ficou com água na boca pela moqueca. Belas fotos, mawex.
bjs
Ai, que linda!!!!
Posso considerar que você libertou sua Dadivosa, então? E a receita do chalá, você anotou? Parabéns pela conquista, viu? Pelo capricho da picaceira dos legumes, posso prever que você tem aí dentro uma dadivosa muito da competente!
E separar gema da clara é sempre muito difícil no começo. Se quiser pegar um atalho, existem uns power-white-yolk-separeitors de matéria plástica disponíveis em boas lojinhas de 1,99. Funcionam muito bem!
Beijos e continue assim, cozinhando quando der vontade, rodeada de boas vibrações e amigos queridos.
beijos
Amei as fotos!
E a história toda das suas aventuras na cozinha!
hehehe…show!
saudades!
beijos!
Mawá, vou inaugurar uma série de “Dadivosas Libertadas”, você topa ser a cobaia?
Podemos nos falar por e-mail
Beijos