Uma matéria da Folha trouxe uma enquete interessante: eleja o mico do ano. Os caras da Folha listaram 15 episódios:

  • Vídeo de Daniella Cicarelli na praia com o namorado
  • Fernando Vanucci aparece grogue durante programa
  • Exibição em “Páginas da Vida” de depoimento de senhora sobre orgasmo
  • Filme pornô da evangélica Gretchen com o namorado
  • Demissão de diretor do “Zorra Total” após suspeitas de “teste do sofá”
  • Divulgação do vídeo em que Dado Dolabella, com machadinha, briga com João Gordo
  • “O Aprendiz 3″ em que Roberto Justus perdeu no ibope e foi “demitido” por candidato
  • Declarações racistas de Mel Gibson e Michael Richards, o Kramer de “Seinfeld”
  • Divergências salarias de Luana Piovani, que deixou “Saia Justa” e “Pé na Jaca”
  • O “namoro” de Karina Bacchi com o baixinho da Kaiser
  • Estrelas como Britney Spears e Juliana Paes flagradas sem calcinha
  • Clodovil, eleito deputado federal, criticou negros e judeus
  • “Separação-relâmpago” da dançarina Carla Perez e do cantor Xanddy
  • SBT de Silvio Santos, que altera programação sem aviso ao público
  • Adiamentos da Rede TV! para projeto de produção local de “Desperate Housewives”

Sendo muito preguiçosa, sem fazer nenhuma pesquisa rápida pela Internet, posso dizer que, desses 15, 7 rolaram pesado no You Tube (Cicarelli, Vanucci bêbado, senhora orgasmática, Dolabella X Gordo, sou-o-CEO-da-minha-vida, explosão do Kramer, Clô político). Ou seja, metade dos “micos do ano” só chegaram à massa por causa da Internet. É praticamente uma inversão de massa e nicho. Se considerarmos uma vida sem Internet, qual seria o alcance da senhora que teve orgasmos com Roberto Carlos? (obs: peguei exatamente o exemplo global para falar de alcance). A Globo é grande, Manoel Carlos é influente, mas isso não é tudo. Apenas algumas pessoas viram o depoimento em real time. A maioria acabou vendo depois, naquele tal de You Tube, sabe aquele site que coloca os vídeos na Internet? Pois é.

Isso tudo sem considerar os micos que se expandiram via e-mail, Orkut e por aí vai. Se meu pai, que só chegou perto de um computador quando percebeu que poderia controlar o banco dele e mandar fotos para os amigos, chega em casa me perguntando do vídeo da moça que transou na praia, algo está mudado. E o que os protagonistas dos micos têm que perceber é que o conteúdo na Internet é livre, gerado por usuários para usuários. O canal, o site hospedeiro, o local de publicação não é responsável por isso. Ele pode até vetar conteúdo não adequado ao suposto público-alvo, mas brasileiro é brasileiro e não desiste nunca. Se não publicar aqui, ele publica ali, acolá, em qualquer lugar. A Internet virou um grande microfone de coisas. Basta uma palavrinha perto do microfone para que ela vire um grito.


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