hippie coolhunter
Nas minhas andanças entre areias da Bahia, Espírito Santo e Rio, encontrei muito hippie pela frente. Como as próprias cidades em que fiquei ainda estavam se preparando para o “verão”, que na concepção turística só começa no dia 27 de dezembro (?), os hippies também estavam chegando nos lugares, ordenando seus trabalhos e começando com preguiça o momento alto de suas vendas. Comecei a reparar nas estratégias de cada um. A Silvana, de Itaúnas mesmo, aposta no relacionamento. Ela se aproxima, começa a conversar, é engraçada, vira sua amiga, já que a amizade é mais importante do que o dinheiro. Nesse papo todo de gosto de trocar energias com os turistas que chegam aqui, ela arranja companhia para si própria, consegue formar turmas de pessoas pois faz questão de apresentar todos seus novos amigos e, por que não, ganha várias cervejas ao longo do dia, já que vamos pagar uma cerveja para a Silvana, não custa nada… Não preciso nem dizer que, depois de toda essa vivência, você escolhe algum artigo da Silvana e acaba efetuando a compra.
Mas a hippie que mais me impressionou foi outra, cujo nome eu não lembro. Gostei do trabalho dela, chamei minha amiga e lá fomos as duas pechinchar (se uma da lodjinha já é difícil, imagine duas juntas!). A hippie cedeu fácil e deu um belo desconto. Ao saber que estávamos indo embora no dia seguinte, se arrependeu. Se eu soubesse que vocês estavam indo embora, não teria feito desconto. Só tava vendendo assim para que vocês usassem os brincos na cidade, as outras meninas vissem e a minha arte virasse a moda do verão. Então tá. Ela se perdeu um pouco na identificação de público alvo que atendesse à demanda estratégica do boca a boca. Mas que era uma hippie coolhunter, isso era.



Em tempos modernos, todo hippie é coolhunter. Não adianta ter ilusões. E ainda ganham breja de graça…