o tal do ponto

10Nov06

Gosto de blogs simpáticos. É claro que o assunto do blog é, na maioria das vezes, o que faz o público ir e voltar lá. Mas mesmo um assunto que, em tese, está longe de ser seu foco, pode ser muito bom de ler. É o caso do Dadivosa, um blog gostoso em vários sentidos: tem receitas, é bem escrito, tem fotos legais e é aconchegante. A questão é que ele gira em torno de receitas e assuntos “cozinheiros”. E minha experiência com cozinha não é das melhores.

Posso dizer que meus dotes culinários tendem a zero. Ainda criança, lembro de ir à casa de uma amiga minha para cozinhar. Biscoitinho, sorvete, sanduíches incrementados. Tinha até um livrinho de receitas que crianças podiam fazer sem se machucar. Lembro de uma passagem do livro que mandava chamar-a-mãe-para-colocar-no-forno. Enfim, a conclusão de todos esses momentos sempre foi a mesma: a hora que eu mais gostava era a hora de comer. E não pense que era pela satisfação de como-eu-cozinho-bem. Era simplesmente porque eu adoro comer. É bom e ponto.

Mais crescida, depois da pré-adolescência (aprendi esse termo na Caras da Sasha!), veio a época que minha avó tentou me ensinar receitas. Minha avó cozinha maravilhosamente bem. Como ela mesma se orgulha, é do tempo em que se cozinhava em forno à lenha. Só tem um pequeno problema: as quantidades das receitas dela são ligeiramente subjetivas. Ah, coloca só um pouquinho de farinha, um tantinho assim, sabe? Uns três ovos, meia xícara de leite. Se você achar que precisa de mais um ovo, pode colocar. Mas vó, como é que eu vou achar que precisa de mais um ovo? Olhando mesmo, com o tempo você aprende. Então tá. Olho para a minha avó, continuo com a cara de interrogação. Não se preocupe, Mamá, cozinhar é uma delícia. Olha só aqui na panela, vou colocar mais um pouco de leite. Tá vendo, é nesse ponto que precisa de leite. A cara de interrogação permanece. O pior foi o dia em que ela me ensinou a fazer chantilly. Fez na casa dela, na minha frente, me mostrando o tal do ponto em que tem que colocar o açúcar na batedeira. Acho que na minha casa o ponto fugiu pela janela, se escafedeu, e tudo que sobrou foi um creme líquido meio doce. E eu nunca mais me atrevi a procurar o tal do ponto.

Depois de tudo isso, minha experiência com cozinha teve um up. Fui trabalhar em um SAC de produtos alimentícios. Depois que eu enviei um material errado para um consumidor que pediu receitas de fondant e eu enviei de fondue (afinal, as pessoas erram ao escrever nomes estrangeiros e eu, na minha ignorância patética, tinha certeza que só existia fondue). Enfim, eu tive que tomar providências e ir atrás do assunto. Aprendi o que é meio fio do chocolate, que a temperagem é importantíssima para deixar o chocolate com brilho, que o ponto do óleo ideal é quando acende o fósforo dentro dele, que pra deixar a batata frita gostosa tem que fritar, tirar da panela e fritar de novo. Na verdade, são coisas que eu aprendi, mas que eu nunca consegui colocar exatamente em prática. O velho ditado: na prática, a teoria é outra.

Hoje em dia, posso dizer que minha atuação na cozinha é ornamental: eu deixo a mesa bonita, preparo a salada cheia de cores e enfeitinhos comestíveis, arrumo os guardanapos e, no fim de tudo, fico na lavanderia. Nada mais justo. Se é certo que “se eu cozinho, não lavo”, o contrário também é válido. Fazer o quê? Perdi toda a moral – e a esperança junto – quando queimei pipoca de microondas. Mais um caso onde o tal do ponto se escafedeu. Coisa mais difícil achar esse ponto aí, nunca vi.  De qualquer jeito, o link da Dadivosa está aí. Quem sabe um dia eu não encontro o ponto, assim, no meio da rua, como quem não quer nada. A gente nunca sabe, né?


4 Responses to “o tal do ponto”  

  1. 1 Dadivosa

    Mawá, que delícia de post! Se você chegar a ler um pouco mais dos meus escritos, verá que sou um verdadeiro desastre na cozinha!
    Queimo os dedos, respingo massa por todos os lados, produzo nuvens de fumaça feitas de polvilho e corto nacos dos dedos com uma freqüência muito maior do que a recomendada.
    O que posso lhe dizer é que você já deu mostras de que sua Dadivosa interior existe e é muito da competente!
    Receitas de vó são assim, imprecisas, acho até que de propósito pra gente investigar melhor o mundo da cozinha. Sim, pois descobri, no meio dos livros que herdei, uma série de papeizinhos com medidas bastante exatas, beirando os quartos de xícara…
    … e quer saber? Eu nunca consegui achar o ponto certo do chantilly :)
    Beijos

  2. 2 Anette

    Realmente cozinhar não é seu forte…mas escrever, aí vc dá show!
    Beijos

  3. 3 Daisy

    Eu sei o que vc sente. Nas minhas ‘férias’, assisti vários programas de culinária. Parece tão fácil, mas na vida real…

  4. 4 Aninha

    Posso te animar… a pipoca de microndas queima mais do que deveria… pelo menos quando eu faço…
    Quando nao acho o ponto eu mudo o gosto. Adoro pipoca queimada, brigadeiro com pedacinhos (queimado), susperos pretos ou moles e assim vai… beijinhos!

Leave a Reply



Social Bookmarking

 
vpnMp3 sale