Monthly archives: November 2006

pais e filhos

Dizem que os filhos são os bonequinhos dos pais. Meu pai tinha um quadro com a frase A criança é o reflexo do adulto. Pois bem, meus filhos terão que ser alternativos. Já imagino eles vestidos com quinze mil cores, parecendo uma escala pantone. Nos pés, nada, porque andar descalço é irado e tem que aproveitar que, enquanto criança, ninguém vai te achar tão louco assim de estar descalço. Desde pequenos freqüentarão aulas de música, dança, judô, artes, futebol e o que mais quiserem. Quer dizer, xadrez não, por favor. Já imaginou ter que ir nos campeonatos de xadrez da criança? Complicado. Ah, eles também vão ouvir muita música legal. Até eles nascerem, já teremos Palavra Cantada – Anthology. E mais músicas como essa versão jazz de If you´re happy (do projeto muito legal Baby loves jazz). Escutarão a mãe sapateando e o pai… ainda não achei, então não sei o que ele estará fazendo enquanto eu sapateio. Depois de tudo isso, irão para o banho desembaraçar os cabelos encaracolados com shampoo natural de Botucatu. Aí é só botar para dormir e inté-mais-vê, porque se puxarem a mãe, dormirão até serem acordados. O que interessa é que eles serão cool. Ou serão adjetivados com a palavra que será cool na época, pois cool mesmo já será considerado vintage.

E se tudo correr como eu descrevi, eles terão também máquinas de fazer bolha de sabão dentro do quarto. Diz aí se não é bacana.

egotrip

MaWá diz:
vc acha mto egocêntrico colocar uma foto do meu rg no meu blog?

Marcelo Coelho diz:
o blog é seu

Marcelo Coelho diz:
qualquer coisa q vc escreve lá é egocêntrico

Marcelo Coelho diz:
é a sua opinião

MaWá diz:
hahahahahahaha

MaWá diz:
ok, vc me convenceu

Eu simplesmente amo essa foto.

RG meu


praticamente senegalês

Tô me sentindo abafada, disse a moça no elevador. Ri. Expressão engraçada essa, sentir-se abafado. Lembrei do meu primeiro dia no Recife, pleno almoço de Natal. Cheguei naquela casa enorme em Olinda, cheia de gente muito legal. Na mesa, bode de todos os tipos – e todos deliciosos. Feijão de corda, arroz integral, bacalhau e salada. Natal lá é assim. Comi direitinho, fazendo questão de não deixar de provar nada. No fim do dia, depois de toda a comilança e a temperatura usual de Recife em pleno 25 de dezembro, uma pernambucana me pergunta: visse, tu tá se sentindo assim… meio melada? Sim, respondi, estou, esperando que ela me desse alguma dica milagrosa de como parar de me sentir, digamos, abafada. Pois se acostume! respondeu ela e saiu do quarto. Então tá.

don´t forget the fries

[video]http://www.youtube.com/watch?v=FLn45-7Pn2Y&eurl=[/video]

Muito bom! Freestyle na hora de fazer o pedido do McDonald´s. Podia voltar aquela promoção de cante-a-musiquinha-e-ganhe-de-graça, mas na versão freestyle.

Via Ovelha Elétrica.

escuro, só no cinema

Esse negócio de apagão de mídia exterior me parece um pouco inútil em época de Natal. Pelo menos em Higienópolis (ok, momento total egocêntrico). Mesmo sendo um bairro conhecido por seus habitantes da lodjinha, é um dos mais bonitos em decoração natalina. Com aquele monte de luz na rua, quem precisa de outdoor para iluminar?

Aliás, eu adoraria se tirassem a mídia exterior, realizassem o projeto de São Paulo wireless (aquele projeto de esconder os fios) e se tivéssemos muitos postes de luz estilizados. Já pensou como seria a cidade se os postes de luz fossem feitos por artistas? Cada um de um jeito, de uma forma, de um material. Uma exposição gigante, que permeia a cidade inteira. Muito louco. Talvez assim o Petit (DPZ) não fique tão chateado com a falta de apoio aos artistas que têm suas obras nas ruas.

registros

Bem no estilo Amelie Poulain, me pego vidrada no guardanapo absorvendo a cerveja que caiu na mesa. Lembro a primeira vez que vi o filme e fiquei impressionada quando vi que mais alguém gostava de colocar a mão nos barris de feijão e ervilha. Era uma sensação muito boa, talvez porque acompanhava a fase mais despreocupada da sua vida. A infância. Ontem mesmo, conversando com uma querida, lembrei do interior do carro do meu pai. Era um Corcel cinza, 1983. Sempre me orgulhei de dizer que o carro tinha a mesma idade que eu. Besteiras de criança. Posso lembrar exatamente da parte interior da porta de trás, onde eu ficava recostada, com a cabeça apoiada no tremilique do carro. Ficava de olho nas linhas que formavam o relevo duro e frio dos carros antigos, quando ainda não eram camuflados por tecidos e recheios gostosos. Entrava no carro e lá permanecia, num universo particular, regido pelas lombadas de São Paulo e pela oscilação de luz da janela em cima da minha cabeça.

Sou fascinada por detalhes. Preciso aprender a nunca esquecê-los.

esticadas

Tem partes do corpo que você só descobre que estão lá quando faz alongamento. É tão legal quando acontece isso.

O único problema é que alongamento é que nem depilação: quando você acha que acabou, ainda tem o outro lado.

preto no branco

Estou até agora de boca aberta com o episódio do Michael Richards, o Kramer do Seinfeld. A propósito, meu personagem preferido, principalmente por causa do jeito como ele abre a porta e sai falando. Pois dessa vez ele abriu a porta errada e, pior, saiu falando coisas cada vez mais erradas. No entanto, nesse vídeo, ele pede desculpas publicamente no Dave Letterman Show. Ele parece bem transtornado com o que aconteceu. Ainda bem. Pessoas muito passionais e que mexem com o improviso têm sempre a sina de não ter limites. O cara passou dos limites sociais e perdeu a linha tênue entre o humor e a agressão. Enfim, fico feliz que ele tenha admitido o erro.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=HqF2FZJdIl4[/video]

Para quem não entendeu nada do que eu disse, aí está o dia em que o Michael pisou na bola e liberou comentários racistas durante um show.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=ll4kJqiHpEQ[/video]

Aplausos para a platéia que, surpresa, começou a levantar e ir embora.

Continuo de boca aberta com essa história. Eu amo o Kramer. Essa sensação deve ser que nem quando te contam que o Papai Noel não existe.

Enfim, ainda no mesmo assunto (cores), deixo aqui um vídeo menos tenso, da época em que o Michael Jackson não era tão esquisitinho. Preciso aprender essa coreografia asap para arrasar nas pistas de baile.

[video]http://www.youtube.com/watch?v=edJCsHstxCw[/video]

Fim do post patrocinado pelo YouTube.

quem sabe faz ao vivo

Semana passada rolou o Festival Jogando no Quintal, com a comemoração de quatro aninhos do grupo. Em primeiro lugar, parabéns a todos que fizeram isso acontecer. O jogo, que conta com palhaços-jogadores, propõe uma competição entre dois times onde a bola é o improviso. A platéia dá o tema e, depois da atuação de cada time, escolhe o melhor. Riso para ninguém botar defeito.

Acompanhando o festival, pude conhecer um outro tipo de jogo, não necessariamente feito por palhaços. A proposta inicial é improvisar. O famoso te-vira-negão. O mais legal são as diferentes maneiras de começar um improviso. Um começou com palavras ou desenhos escritos em lousas. O grupo escolhia qualquer uma daquelas expressões e desenvolvia a história assim mesmo, na hora. Já em outro espetáculo, os atores entravam com personagens bastante antagônicos e com um objetivo na cabeça. Depois, tinham que interagir de acordo com um tema definido na platéia e, claro, tentar alcançar os próprios objetivos. Em um terceiro improviso, os times tinham sempre um tema, um estilo e um tempo definido. E o público, além do cartão de voto, tinha um chinelo de borracha para atirar no momento que não estivesse gostando do que rolava no palco. Sensacional.

Foi um mundo totalmente novo que eu conheci. Algo que ainda não tem grande presença no Brasil, mas que nossos hermanos da LPI já desenvolveram bem. Ah, esqueci de dizer: o festival trouxe argentinos e colombianos para trocar experiências e aprendizados. Tive a chance de ver diversos tipos de espetáculo: brasileiro com argentino, só argentino, só colombiano e brasileiro com argentino com colombiano. Coisas muito boas, coisas muito estranhas, coisas duvidosas. Mas todas elas muito válidas. Com certeza.

guarujá

Fui à praia buscar minha consciência negra. Vermelha do jeito que fiquei, só me resta comemorar o Dia do Índio.