eu projeto, tu projetas
Um conceito é bom quando ele pode ser aplicado de diversas maneiras e em diferentes meios. A Dove se encontrou na sua Campanha pela Real Beleza, suprindo as carências femininas sem ser feminista e dando suporte à sua imagem de marca. Aliás, este comercial mostra exatamente como nossa percepção de beleza acaba sendo distorcida.
A real é que essa mania de eternização de imagens - foto, pintura, desenho, o que for -estimula a adoção de “poses wannabe”. Quando alguém vai ser fotografado, ele já prepara o lado preferido, o sorriso só até a metade para não aparecer a gengiva, o cabelo do lado que tem a mecha e as costas endireitadas para não parecer corcunda. Cada um já tem seu estilo de foto, de careta, de abraço, de cabeça para o lado. Tudo vira uma mera projeção de como você quer ser visto. Perdemos o registro que simplesmente eternizava. Há uma exposição na Pinacoteca sobre retratos populares do Ceará, aqueles feitos com fotopintura (foto PB + pintura sobre a foto). Os retratados simplesmente não posavam para a foto, eles apenas se deixavam registrar. Como estava escrito lá, esse tipo de registro não procura explicar-se, existe porque alguém pretendia manter uma lembrança fixa ou fixar uma memória. A maioria de cara séria, sem qualquer expressão forçada. Não havia “poses wannabe”. Não havia essa tremenda estereotipação de preciso ser alguém simpático, sexy, bonito e cheiroso na foto.
Enfim, o que eu chamei de “poses wannabe” é apenas uma das conseqüências disso tudo. Talvez a mais leve e menos perigosa, se compararmos com meninas que comem feito o Shrek mas querem manter o visual Fiona. E aí minha filha, depois que você estiver bem doente, o Photoshop vai ter que ser substituído por soro no hospital.



Schlep! Schlep!
O que se será pior: ter a chance - ou direito - de wannabe ou estar fadado ao must be?
O que se será pior: ter a chance - ou direito - de wannabe ou estar fadado ao must be?
Iludir-se com a possibilidade de ser igual ao que se projeta e se quer ser/parecer ou conformar-se com a impossibilidade de ser diferente do que se é?
Seriam as caras sérias e sem qualquer expressão tão forçadas quanto as poses wannabe? Talvez forçadas pela quase sacralidade do ato de eternizar-se nesses lugares em que as câmeras não são banais. Não sei.
Mas enfim, entre ser objeto e apenas ser retratado ou ser sujeito e tentar me projetar, prefiro ser verbo. No gerúndio.
Ainda hoje observava umas colegas da faculdade fazendo pose
para uma foto o que me levou a questionar: “Por que arrumamos o cabelo, ajeitamos o decote, sorrimos de forma nem um pouco espontânea e… depois do flash, voltamos ao ‘normal’”?
Êita mundão esquisitão…
(Taí! Essa vai para o meu blog. Valeu MaWá!)