…mudar. Só algumas coisas.

E de repente as coisas acontecem. Há um tempo já estava querendo ver “A vida na Praça Roosevelt”. De repente, uma amiga minha me chama para ver De Profundis, e de repente eu começo a gostar do trabalho do Rodolfo, e de repente eu começo a ler o blog do Ivam, e de repente eu me sinto parte de um universo pelo qual sempre fui fascinada: o teatro e seu submundo. Eu entrei na Praça Roosevelt por causa do Celso Cruz, embora ele nem saiba disso. Mas sou eternamente grata. Comecei a freqüentar o lugar que era logo ali, atrás da minha casa, que eu só via pelo espelho retrovisor. E comecei a me sentir muito bem por lá, assim como sempre me sentia familiarizada ao passar pela Amaral Gurgel às 6 da manhã, com os travecos acabados fazendo parte da minha rotina. Adorava ver como eles estariam depois de uma noite inteira de trabalho e admirava no silêncio no carro a decadência frente ao viaduto grafitado.

Pois bem, fui à peça ontem. Ver os personagens que sempre admirei em silêncio, no carro, assim como os travecos da Amaral Gurgel. E de repente, no meio do teatro, o Ivam me inseriu na peça, literalmente me dando um papel. Eu estava lá, lendo um trecho da peça, numa espécie de transe, mal ouvindo o que eu mesma estava dizendo. Adorei, Ivam. Muito obrigada. Foi muito bom o gostinho de cruzar a linha do palco.

No fim da peça pensei em devolver o papel. Quase entrei no camarim quando me veio à cabeça que o elenco estaria tirando a maquiagem, comentando algo, refletindo sobre a peça ou falando do inverno-que-está-bem-quente-por-sinal. Continuei andando. Achei que o grupo não se importaria se eu levasse o papel. Aceitei que o público é parte da vida na Praça Roosevelt e fiquei com o papel para mim. Como um ator, quando recebe um texto e sente que aquelas palavras a ele pertencem.

2 Comments

  1. só pra dizer que vim aqui e que emocionei com este teu post. Obrigado e beijo.

  2. Anonymous

    I say briefly: Best! Useful information. Good job guys.
    »

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