“A criança está lá com um tremendo de um câncer, com a infância ceifada, mas mesmo assim, ela abre espaço para um momento de alegria, para trocar com o palhaço, e faz isso com uma graciosidade, com uma generosidade… Daí que vem a nobreza, a sabedoria delas…” – Wellington Nogueira, Drs. da Alegria.

Acho que essa frase sintetiza bem – ou melhor – justifica bem a costumeira pergunta: mas como é ser palhaça em hospital? A criança está lá, temporariamente ou não, e o tempo precisa passar de alguma maneira. Melhor ainda se ele for agradável e se for possível fazer o que toda criança faz: brincar.

É nessa hora que entra a máscara mágica. Sim, a máscara do palhaço, às vezes somente o solitário nariz, é mágica. É um símbolo que traz à tona o circo, a risada, a piada – “O palhaço é alguém vestido de piadas” – Fernando Anitelli. Um simples “bom dia” provoca o riso. Um “tudo bem?” traz uma certa timidez-com-vontade-de-participar. E daí pra frente é o improviso, que toma conta da cena e não tem receita. A cada hora um novo cenário é formado.

A palhaça Cremilda está sendo construída de pouco em pouco. Com filmes do Chaplin, com o livro “Palhaços”, com o documentário do Doutores da Alegria. Mais do que tudo isso, com a simples vontade de transformar algo. Transformar um lápis numa varinha mágica, uma bola de sabão em uma bola da Copa, um leito de hospital em um riso alto e livre.

E assim, posso ter a oportunidade de ser abraçada por uma vovó que diz, olhando no meu olho por detrás do nariz:

Você fez minha neta sorrir hoje.

Acho que isso é ser palhaço em hospital. É quando você percebe a importância do “hoje” na frase dela. E quão bom é fazer a neta dela sorrir naquele dia. Sabe-se lá quando ela havia sorrido pela última vez.


2 Responses to “Cremilda, muito prazer”  

  1. 1 Mabe

    So proud of you! :)

  2. 2

    Sensacional, Má! - Cremilda!
    Beijinhos,

Leave a Reply



Social Bookmarking