Monthly archives: June 2006

Cremilda, muito prazer

“A criança está lá com um tremendo de um câncer, com a infância ceifada, mas mesmo assim, ela abre espaço para um momento de alegria, para trocar com o palhaço, e faz isso com uma graciosidade, com uma generosidade… Daí que vem a nobreza, a sabedoria delas…” – Wellington Nogueira, Drs. da Alegria.

Acho que essa frase sintetiza bem – ou melhor – justifica bem a costumeira pergunta: mas como é ser palhaça em hospital? A criança está lá, temporariamente ou não, e o tempo precisa passar de alguma maneira. Melhor ainda se ele for agradável e se for possível fazer o que toda criança faz: brincar.

É nessa hora que entra a máscara mágica. Sim, a máscara do palhaço, às vezes somente o solitário nariz, é mágica. É um símbolo que traz à tona o circo, a risada, a piada – “O palhaço é alguém vestido de piadas” – Fernando Anitelli. Um simples “bom dia” provoca o riso. Um “tudo bem?” traz uma certa timidez-com-vontade-de-participar. E daí pra frente é o improviso, que toma conta da cena e não tem receita. A cada hora um novo cenário é formado.

A palhaça Cremilda está sendo construída de pouco em pouco. Com filmes do Chaplin, com o livro “Palhaços”, com o documentário do Doutores da Alegria. Mais do que tudo isso, com a simples vontade de transformar algo. Transformar um lápis numa varinha mágica, uma bola de sabão em uma bola da Copa, um leito de hospital em um riso alto e livre.

E assim, posso ter a oportunidade de ser abraçada por uma vovó que diz, olhando no meu olho por detrás do nariz:

Você fez minha neta sorrir hoje.

Acho que isso é ser palhaço em hospital. É quando você percebe a importância do “hoje” na frase dela. E quão bom é fazer a neta dela sorrir naquele dia. Sabe-se lá quando ela havia sorrido pela última vez.

Se é o que dizem

Ontem
Walter Firmo – Você tem um olhar estranho.
Eu – Como assim, estranho?
Walter Firmo – Não sei, uma relação estranha com os corpos. Algo surrealista.

Hoje
Nena – Essa calça não combina com você.
Eu – Por que não?
Nena – Porque você é rebelde. E essa calça é de mulher direita.

Conclusão: eu sou uma rebelde surrealista ou uma mulher torta que se relaciona estranhamente com os corpos. (?)

A propósito, Firmo é meu professor de fotografia. E a Nena trabalha lá em casa desde que eu me conheço por gente. É cada um que me aparece na frente.

Utilidade pública

É chato de fazer. É chato de explicar. Mas me pareceu bem útil o tutorial de “limpeza de teclados” deste blog. A quem interessar, tá aí a dica.

Enquanto isso, já estou pensando que horas vou fazer a limpeza do meu. Também estou pensando em comprar um curso de francês em CD. E preciso fazer os testes da minha maquiagem de clown. Ai, tanta coisa para fazer… (já mencionei que eu preciso ver o “Rocky 2″ asap?)

Preto quente

Foto da série “fotos que eu gostaria de ter tirado”. Quem quiser ver mais sobre o trabalho de Luciana Cavalcanti, é só ir em Cores dos Vultos.

Referência

Ontem eu vi meu pai com 13 anos. Há exatos 13 anos atrás, ele estava passando por um transplante de medula que, na minha concepção infantil, era apenas um bichinho louco que estava sendo tirado do corpo dele. Não tinha a exata noção do que era aquilo, a não ser pela ausência dos meus pais na minha casa e a substituição deles pelos meus avós. Mas como sempre tive muito contato com esses avós, não era tão estranho assim tê-los todos os dias em casa. Só depois de alguns anos é que eu entendi que meu pai bateu na trave e voltou. E o melhor de tudo é ver que ele voltou bem pra caramba. Com saúde e uma paz de dar inveja. Ontem, era só sorriso ao abraçar cada convidado e tirar uma foto. Isso quando não ia direto no colo da pessoa, que nem criança que não sabe calcular espaço ainda. Que nem um menino de 13 anos que ganha uma bola nova, uma guitarra autografada ou um beijo daquela menina. Lindo. Simplesmente lindo. Talvez seja isso que me deixe fascinada pelo meu pai.

Estou

Muito feliz pelos 13 anos do transplante do meu pai.
Apaixonada pela música Cheek to cheek – versão Wanda Sá.
Motivada com o estudo da história do circo e dos palhaços.
Instigada pelo CD da Céu, especialmente pela malemolência.
Cansada fisicamente por causa das aulas de boxe.
Relaxada mentalmente já que vou ao Rio na sexta.

It´s showtime!

Resolvi fazer graça e a imagem ficou ruim de ler. Mas clica nela que você vai descobrir onde vou dançar na sexta-feira à noite e no sábado de manhã. Ou, se você é meu amigo de iogurte, é só verificar sua caixa de mensagens. Espero vocês lá. It´s showtime, baby.