15 de maio de 2006 foi um dia que não aconteceu. E que foi um dos maiores acontecimentos dos últimos tempos. Foi um dia em que tudo que se falava era violência, era morte, era explosão e era mentira. Um dia em que o pânico aparecia na cara das pessoas, ora com sorrisos nervosos ora com os lábios apertados. E se queimassem aquele ônibus? E se os policiais atirassem com metralhadoras na Berrini? E se não houvesse um mísero táxi para aqueles que podem pagar seu caminho para casa? E se o assaltante levasse tudo daqueles que estavam à pé? Foi um dia cheio de “e se”. O medo tomou conta da cidade da garoa e fez com que o céu ficasse escuro sem qualquer tempestade. Mesmo não acontecendo, ele estava na minha cara. Na minha cara que viu metralhadoras. Na minha cara que viu o assalto no carro da frente e o assalto no carro de trás. Na minha cara que teve que engolir a violência sem qualquer momento para discutir ou culpar alguém. Na minha cara que, mesmo com nada acontecendo, não quis pagar para ver. Na minha cara que não quis correr riscos, mas parece estar mais riscada do que nunca. A cidade que eu tanto amo parece estar me testando. Mesmo tendo escapado do assalto com uma sorte que nem eu sei de onde veio, esse dia que não aconteceu é algo a se pensar. Por enquanto, como diria uma amiga minha, a gente só fala: acontece…

E se é possível que você ainda não saiba direito o que (não) aconteceu, veja aqui o relato da Vilmete. Ótimo texto sobre o que aconteceu.


One Response to “Por dentro do insulfilme”  

  1. 1 Lost, lost, lost

    É, Mawex… Apesar do esforço em voltar ao normal, estou com a sensação de a segunda ainda não acabou! Vamos sobreviver porque somos fortes. Mas não somos de ferro…

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