Monthly archives: April 2006

Já sabe o caminho, volte quando quiser

Ultimamente algumas pessoas com as quais eu tenho pouquíssimo contato no mundo real têm passado por aqui. Na verdade, confessaram que passam por aqui. Adorei a surpresa. É incrível o que esse lance de Internet pode fazer. Eu tô aqui, no meu canto, e de repente tem pessoas que curtem ler as minhas percepções de vida. Isso mexe com o ego. E com a vergonha também. Uma mistura estranha de exibicionismo com o medo de se mostrar demais. E olha eu indo para o papo do divã…

Pessoas lindas que passam por aqui, fiquem à vontade. Sei que meu blog ainda está no nível de auto-análise, mas é sempre bom saber que eu não falo sozinha. Isso pode até trazer pequenos conflitos, mas isso é o de menos. O melhor da história é o resultado, já que o problema de um louco é ter outro louco que o apóie. Sigam-me os bons!

Pessach – parte 1

A época do Coelhinho está chegando e as perguntas já começaram: você não comemora a Páscoa? Como é a sua Páscoa? Você come ovo de chocolate? O que acontece?

Bom, vamos por partes. A páscoa judaica é conhecida como Pessach (se pronuncia pêssarrrr). Na verdade, somente nos referimos a ela por “páscoa” por causa das datas próximas, uma vez que não tem nada a ver com ressurreição de Cristo. Pessach traz à tona algo que não deve ser esquecido: a libertação dos escravos no Egito. Ora, os judeus já estão no mundo há muito tempo. Já existiam na época de gregos e romanos e continuam até hoje. Mania de perseguição ou não, cultivam essas memórias de lembrar sempre o que já aconteceu para que não aconteça de novo (escravidão, holocausto e por aí vai). Além de partilhar do sofrimento da escravidão, é comemorada ainda a partida rumo à terra prometida, com direito às Tábuas da Lei no meio do caminho.

Pessach – parte 2

Pois bem, em Pessach é costume fazer um jantar, chamado Seder (ordem em hebraico), já que ele deve ser sempre servido numa ordem estabelecida e com uma série de simbologias. Como não tenho vocação para rabina, não vou explicar todas por aqui. A explicação da Keará pode ser boa para exemplificar um pouco. A Keará é um prato que contém alguns alimentos: betsá, zerôa, charósset, marór, chazéret e carpás. Betsá é ovo em hebraico. Se dermos um peteleco num ovo, por ser obviamente oval, ele acaba passando sempre por altos e baixos. Serve como um símbolo de que a sua vida é assim e que, mesmo em momentos ruins, sempre haverá uma saída. Já o zerôa é normalmente um pescoço de galinha (que não é comido, é só para ilustrar mesmo) para lembrar os animais que eram sacrificados no Templo Judaico, na véspera de Pessach. Charósset é uma pasta de maçã e nozes, por sinal deliciosa, que simboliza o cimento que os judeus utilizavam para construir as pirâmides do Egito. Mas como nem tudo são flores, junto com o charósset comemos o marór, raiz forte ralada, para lembrar do sofrimento do povo naquela época. O chazéret (pode ser uma alface) serve para acompanhar o marór, embora não esteja presente em todas as casas judaicas. Por fim, temos o carpás, na minha casa materializado pela batata, que é mergulhado em água salobra em memória às lágrimas dos judeus nas épocas sofridas.

Pessach – parte 3

Agora, parabéns por ter chegado até aqui. Persistência é uma das qualidades do povo judeu. Depois dessa mini-aula, vamos à parte que mais se sobressai no Seder. A matzá. A matzá é o tal do pão ázimo, a tal da cream cracker gigante. Depois que Moisés pediu ao Faraó para libertar o seu povo e foi negado, Moisés levou as famosas dez pragas para o Egito. Sangue, rãs, piolhos, feras, peste, sarna, granizo, gafanhotos, escuridão e a morte dos primogênitos. Tamanha desgraça fez com que o Faraó libertasse os judeus da escravidão. Moisés, que não era bobo nem nada, já havia mandado todos correrem antes que o Faraó desse para trás. E não é que se arrependeu? Enquanto coordenava os egípcios para correrem atrás dos judeus, estes saíam apressados a ponto de nem esperar o pão ficar pronto (olha que é um tamanho sacrilégio interromper uma mãe judia na cozinha!). Pois é, o pão saiu no meio do caminho e acabou sendo cozido pelo sol sem ser fermentado. Essa é a tal da matzá. E como peregrinaram pelo deserto por mais um belo tempo, comemos a matzá hoje em dia para honrar o sacrifício que eles fizeram para chegar à terra prometida. Assim, ficamos uma semana sem comer alimentos fermentados.

Pessach – parte 4

Por mais fácil que isso possa parecer, é ligeiramente trash ter como fonte de carboidratos matzá e batata. Sim, porque é isso que você vai comer durante uma semana. E haja requeijão para comer com a matzá. Tem até um videozinho de um “hip hop for hebrews” muito bom, satirizando como é comer matzá por uma semana (clique lá e procure o vídeo “Matzah”) ou veja a versão tosca-adolescente-americano aqui. Além desses, já recebi uma versão bem-humorada de “Matzo-Man”, com várias matzot (plural de matzá) à la Village People.

Caraca, acho que era isso que eu tinha para dizer. Para os curiosos, fica aí a informação. Para quem se encheu, a vida é assim, como o ovo que eu já falei antes. Para quem achou que puxei muito o saco dos judeus, relaxe, que depois do feriado poderei contar tudo sobre as procissões de Ouro Preto. E para quem curtiu e quer saber mais, vem falar comigo ao vivo. Porque eu tenho a mais absoluta certeza de que eu só lembro de tudo isso porque todo ano tem uma ocasião na qual meu tio fala sempre a mesma coisa. E essa ocasião é o Seder de Pessach.

Morte ao urso cinza

“É o seguinte: foi encontrado um vírus que está dentro do orkut e que se instala no computador a partir dos contatos que temos por aqui. Minha lista de contatos foi infectada pelo vírus, e com o resultado, a sua também foi, pois seu e-mail estava na minha lista de contatos. O vírus se chama jdbgmgr.exe. Ele não é detectado pelo antivírus. Começa a dar prejuízo e a danificar o computador depois de 14 dias que ele (vírus) esteja instalado. Ele é enviado automaticamente para sua lista de contatos (amigos do Orkut), mesmo que você não tenha recebido nenhum “e-mail”. Siga, por favor, as instruções a seguir para eliminar o vírus do seu computador e encaminhe esse “e-mail” para todos os seus contatos.”

Tô para conhecer o maldito que inventou o lance do ursinho cinza. O e-mail que mandava excluir o ursinho cinza do Windows, o famoso jdbgmgr.exe, já circulava quando o melhor PC era o 386. E não é que ele ainda persiste em correntes virtuais? Hoje recebi uma mensagem do Orkut. Pela mensagem, o ursinho cinza já aderiu à rede de relacionamento e “é transmitido para todos os seus contatos”. Impressionante a capacidade das pessoas de repassar merdas… Isso é tão 1998!