Monthly archives: March 2006

Momento auto-palhaço-análise

Ontem li uma entrevista com o Fernando Anitelli, feita por uma pessoa rara. Sabe aquelas coisas que você também acha, mas às vezes não consegue verbalizar? Pois é, me encontrei um pouco nessa entrevista. Acho que tenho um lado de palhaço na minha vida. Um lado de “sim, estamos AQUI, o que podemos fazer para melhorar ou para aproveitar esse AQUI”. Porque esse AQUI só vai acontecer agora, entre eu e você e mais ninguém. Anitelli diz que o palhaço é alguém disposto. Necessariamente disposto. E acho que é essa a diferença entre esses e aqueles que optam por estar LÁ quando na verdade estão AQUI. É apenas uma opção por maximizar o resultado do seu momento. Bom ou ruim. Um detalhe interessante é que estar disposto não significa estar feliz. Significa apenas estar. AQUI.

Diálogo (dessa vez não é meu!)

Rê, me desculpe, mas seu telefonema merece ser registrado:

- Alô, boa tarde!
- Blá blá blá
- Eu queria saber… vocês dão banho também?
- Blá blá blá
- Se vocês dão banho nos cachorros, ou só vendem cachorros?
- ??????
- Não é do Pet Shop?
- Não, é das Lojas Marisa.
- Ah, desculpe então…

De mulher pra mulher… Em pleno dia das mulheres, hein, Rê?

Cacau, subconsciente e Johnny Depp

Não sabia que a mente era tão louca assim. Quer dizer, isso muitos já sabem, mas sempre acontece algo que te lembra disso. Tenho algumas imagens na cabeça que, ao menos uma vez por mês, rondam minha mente e me seduzem. Cascatas e correntezas daquele elemento originado do cacau, tudo à minha disposição. Sim, estou falando de TPM e chocolate. Mas nunca pude imaginar que essas imagens seriam do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. É fato que esqueço dos filmes uma semana após vê-los (mais um motivo para registrá-los por aqui). Mas não sabia que tais imagens poderiam ficar assim, semi-adormecidas no subconsciente. Ao ver a versão de Tim Burton, pude constatar que minha lembrança é sim do filme. Engraçado isso, não? E a tal da atenção seletiva: lembro muito do chocolate escorrendo e – o mais importante – à disposição. Mas não lembrava de como as crianças eram tão loucas, os pais tão insanos e o Willy Wonka tão sádico. Cruel, escravizou os Oompa-Loompas, após encontrá-los na Loompalândia… Aliás, tenho a mais plena certeza de que a visão do Wonka sobre a Loompalândia é a mesma que os gringos têm do Brasil (aqueles mesmo, que acham que Buenos Aires é a capital e não entendem como há hospitais na terra dos macacos). Tampouco lembrava que era um filme tão sério. Minha mente infantil somente flagrou o que me interessava. Fala sério!

Gostei do filme, mesmo tendo adotado a estética do Sin City. Meu aparelho de DVD estava ruim e deixou o filme inteiro em PB, com apenas algumas partes coloridas. Robert Rodriguez teria se orgulhado dos efeitos especiais do meu DVD.

Vai entender…

Durante o carnaval, ouvi algo de uma amiga que nunca passou pela minha cabeça: “gostaria de saber o que você está pensando agora para saber como você chega às conclusões do blog”. Caraca, não faço a menor idéia disso. Parei para pensar e disse: eu não faço as coisas pensando no que vou escrever depois. Eu simplesmente faço e depois elas voltam, de algum jeito. Sei lá, constatações, besteiras, filosofias de boteco (como diria a Ju), viagens minhas.

Quando fui escrever hoje, entendi o que ela queria dizer. Vou dar um exemplo. O carro dela quebrou na estrada. Com direito a mecânico em Queluz (o Sérgio, do bigode, gente fina), concessionária Peugeot em Resende para cuidar do Renault (é tudo meio parecido, né?), problema na bobina da vela (desculpe, para que serve a vela?). Enfim, horas depois, teste de gasolina, teste na vela, teste na bobina e pimba: problema identificado, mas não solucionado. Apenas, digamos, apaziguado. E é nessa hora que eu constato que eu sempre tenho que ter um perrengue para contar depois. Posso programar a viagem inteira, fazer tudo certinho e vou ter que passar pelo tal do perrengue. Não tem jeito. É escorpião que morde, é carro que quebra, é garrafada na testa, é abandono em alto-mar. Sempre vou ter um perrengue hard-core para armazenar na memória.

Quando eu tinha uns 12 anos, ganhei um mapa astral. De tudo que me foi falado, a única coisa que lembro é que eu estava “solucionando” meu último karma. Só tinha uma linha vermelha lá no meio do mapa, todas as outras eram azuis. E minha cabeça simplória registrou o fato: existe apenas um karma para ser resolvido nessa vida. Apesar de não entender essas coisas, isso é algo que ficou na minha cabeça. Eu tenho um karma. Qual? Não tenho a menor idéia. Não sei nem por onde começar. O karma pode ser relacionado a quê? Alma, profissão, amor, doença. O meu karma pode ser o perrengue que sempre está lá para me acompanhar? Quem sabe.

Agora, a constatação do bizarro: por que eu associei o carro quebrado ao mapa astral? É exatamente aí que eu entendo a pergunta da minha amiga.

“Olho que não fecha queima que nem taturana”
Triha recomendada: “Música Parede e Meia”, interpretada por Kleber Albuquerque (e também pela Ceumar, mas no momento quem está no meu ouvido é o Kleber!)