Monthly archives: March 2006

Shake your groove thing, yeah yeah

Dicas para aprender a dançar:

1 – seu corpo é seu instrumento, imagético, sonoro e sensitivo. Quanto mais dominá-lo, melhor saberá como passar o que você quer passar.

2 – você não pode ter vergonha do seu corpo. Ele é assim e pronto. Pode até ser que ele sofra mudanças radicais, mas você não pode esperá-las para daí começar a se soltar.

3 – aulas de dança ajudam, mas você pode começar sozinho, se mexendo em frente a um espelho. Faça um movimento qualquer e veja. Ele é bonito? Ele é feio? O que ele transmite? Dá vontade de rir? Dá dor nas costas? (ok, se for esse o caso, pare imediatamente e coloque gelo)

4 – se tiver muita vergonha dos outros, procure referências. Pode ser a aula de dança da Nike, o filme “Grease – nos tempos da brilhantina” ou até mesmo essa versão de “This is such a Pitty”. Aliás, o figurino é sensacional: mocinha flasback, com aquele sunkini “por sobre” o short de lycra, aprendendo a dançar street dance com os negões

5 – por fim, sei que dança de salão está na moda, mas não acho o melhor caminho. Porque além de conhecer e dominar o seu corpo, você depende de outro corpo para fazê-lo. Dança é equilíbrio. Se você mal conhece o seu, imagine coordená-lo a outro corpo.

E o mais importante de tudo: seja feliz dançando. Se dançar para você sempre terminar em frustração, desencane. Tem sempre um curso de mosaico em alguma esquina.

Esse post é para meninas

Meu útero é egocêntrico. Só pode ser isso. Não há razão para querer chamar tanta atenção uma vez por mês. Impressionante. É uma dor bizarra, ainda mais por ser uma coisa chata e inevitável. Tudo que sai do nosso corpo é controlado – ou deveria ser. Você vai ao banheiro quando quer, cospe quando quer, assoa o nariz quando quer. Aí chega a maldita e você não pode controlar. Você fica pingando, como uma torneira com o registro aberto. Não há o que contenha a goteira. Além desse fato, você ainda é obrigada a sentir dor. Porque o seu útero tá tentando fazer você pingar cada vez mais. Incrível. Só pode ser egocentrismo. Útero: eu sei que você está aí, que você é importante e que você é o responsável pelo maior dom de uma mulher. Mas fique sussa. Qual o seu problema? Fui obrigada a apelar para o Kit Chico Feliz: Feldene, Suflair Alpino e CD do fime “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”. E se algum homem leu o post até aqui, não diga que tá com nojo e etc. Eu avisei desde o início que era assunto de menina. Não me venha com churumelas (ou seria “xurumelas”?).

Através do avesso

Amo São Paulo. Eu xingo a cidade todos os dias, pensando em qual praia nordestina vou montar minha pousada. Sou capaz de passar horas no trânsito contando quanto tempo estou perdendo nesse caos de ilhas ambulantes, reparando como as pessoas são mal-educadas e tristes e como as crianças na rua são famintas e malandras. Conservo até mesmo uma veia bicho-do-mato, que precisa da natureza desesperadamente em alguns momentos. Mas mesmo assim, eu amo São Paulo. Adoro passear pelos seus cantos a pé. Ver as fitas de cetim que colocaram nas árvores da Avenida Sumaré. Achar linda a iluminação antiga e suja da Liberdade. Encontrar um novo sentido para cada muro pintado da Vila Madalena. Passear no Centro e conversar com homens-cartazes. Andar no Ibirapuera como se estivesse no Leblon. Me vestir com qualquer trapo e sair andando na nobreza de Higienópolis. Alternar a balada lá pros lados da Pompéia. Trabalhar (e reclamar disso) no complexo da Berrini. Sentir que a Vila Mariana é a minha segunda casa. Andar na chuva na Praça Roosevelt e lembrar que sou da cidade da garoa. Alguma coisa acontece no meu coração. E é impossível negar essa identidade. São Paulo é cinza. Mas tem sempre um sinal aberto para você ir adiante.

Foto de Tuca Vieira, da série “foto que eu gostaria de ter tirado”. Fonte: Fotosite.

Haja creme rinse!

Ok, preciso confessar. Fui lá até a plataforma 9 ½ , tive um affair com Harry Potter e engravidei. Hermione que se cuide. Tá aí o resultado, embora eu ache que o Syrius seja muito mais gato.

Um pé de cada vez, por favor

O sol brilha lá fora, o fim de semana está chegando, novos vizinhos lindos no trabalho. Mesmo assim, não sei direito, algo me diz que esse dia não vai dar certo. Um estabaco no chão logo pela manhã não pode ser um bom sinal.

O fim está próximo? Incógnita. Eu quase perdi a sanidade também.

Keep jumping

Vídeo-dica de um guri querido, que me deu vontade de sair pulando de quadro em quadro. Deve ser uma loucura isso. Será que whisky dá esse barato?

And it´s only wednesday…

Tropicália com fish´n´chips

Está rolando em Londres uma exposição sobre a Tropicália, na Barbican Art Gallery, importante centro cultural e artístico. A exposição conta com obras de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Assume Vivid Astro Focus (Eli Sudbrack), entre outros. Além disso, apresenta registros da época de ferro do Brasil, com capas de disco, música ambiente, palestras, documentários, propaganda e tudo mais que possa explicar a influência do tropicalismo no panorama artístico (e político) brasileiro.

Se alguém quiser saber mais, dá gosto de ver o site da Barbican e a reportagem no YahooNews. Para aqueles que, como eu, não têm a possibilidade de pisar na terrinha do príncipe de lá para ouvir a música do ministro de cá, degustem um pouco de Lygia Clark na Pinacoteca (as Máscaras Sensoriais estão à disposição lá e aqui).

Cida

A capa da Veja dessa semana, logo após o Dia Internacional da Mulher, trouxe à tona o assunto da violência. Mulheres que hoje em dia se libertam, que se sentem à vontade para contar com o apoio da sociedade – e não têm mais a vergonha de assumir que o cara que elas escolheram para “a vida toda” usam da violência para atingi-las. Fico feliz que seja possível falar disso atualmente. Mas ainda sinto um certo machismo na hora de retratar o assunto. Calma, não vou levantar nenhuma bandeira feminista aqui. Mas, em minhas andanças por aí, conheci uma pessoa. Cida era seu nome. Cozinhava para mim e para mais um grupo de jovens que se aventurou a ensinar alguma coisa no interior da Paraíba. Nosso convívio com ela era diário, de tal forma que sabíamos tudo. Seus dois filhos passavam o dia junto com ela, um moreno e um bem loirinho – galego, eles diziam. Morava na zona rural, com os dois filhos e o marido alcoólatra. Era bonita, à sua maneira. Já havia tido sua fase de ouro, mas por lá era dito que a vida difícil trazia o sinal rápido da idade. O marido alcoólatra era, por conseqüência, violento. Certo dia, o galeguinho chegou com um corte na testa. Perguntamos à Cida, e ela silenciou dizendo que havia caído da cama. O irmão logo entregou: foi pai que bateu. A resposta nos pegou de surpresa… e agora, o que fazer? Infelizmente nada. Em outra tarde, passei horas lá na escola onde dormíamos preparando alguma coisa e batendo papo com a Cida. Conversamos sobre tudo, até chegar no assunto do marido. Ao ver que ela assumiu a violência doméstica, logo revidei: E por que não larga dele? Sua resposta foi: quem gosta de dar, gosta de apanhar.

É por isso que questiono a versão da mulher coitadinha.

Respira azul e solta cinza. Até quando?

Adorei a iniciativa de alguém de povoar a agência com plantas. O ambiente mais verde (e não é a tinta na parede), coisinhas naturais que trazem uma certa leveza ao ambiente “Berrínico”. Até no banheiro temos plantas! Mais exatamente, cactos. Sim, estes mesmos que não precisam de muita água para viver. O mais irônico de tudo é que o cacto fica lá, ao lado da torneira que não fecha direito. Acho que desde que eu entrei aqui a torneira não fecha direito. Já mandei e-mail econóia, já falei, já fechei, mas parece que não adianta. A torneira fica lá pingando, principalmente a do banheiro da direita. Resolvi medir. Consigo um copo cheio em apenas 1 minuto e meio. São 10 litros por hora. Estou aqui há 7 meses, o que dá 50.400 litros de água. Às vezes passa pela minha cabeça se devo chamar um cara para consertar. Sei lá. Como diria minha mãe, there is a limit. O jeito é não usar o banheiro da direita. Triste solução.

Sinto, logo existo

A interatividade já é algo que está sendo cada vez mais explorada pelos museus. Melhor ainda se a proposta do artista inclui o público como parte ativa da obra. A exposição de Lygia Clark, na Pinacoteca, é imperdível. Tudo que ela faz provoca, mexe, instiga. E o mais curioso é que tudo lá é extremamente simples: pedras, tecidos, areia, plástico, ar, bexigas. Esses são os elementos que ela utiliza para dialogar com seus sentidos. As plaquinhas que costumamos ver em museus identificando obras, lá dizem: “Favor mexer”. As obras estão à disposição. É a concha que faz barulho de mar, a instalação escura para você tatear, o montinho de erva-cidreira para você cheirar. Sensacional E, pra não dizer que não, finalize o passeio com um chocomenta do café da Pinacoteca. Ele é realmente incrível para mexer com seu paladar.