Conversando com um querido fotógrafo, comecei a pensar na criatividade. Na capacidade que alguém tem de criar coisas novas. Isso é realmente possível? Consigo fazer algo que alguém jamais tenha feito? A conversa começou com os jargões da fotografia. Algumas imagens já estão tão viciadas que fugir delas parece ser inútil. Você vai tirar uma foto e alguém vai comentar: “Nossa, se achou o Sebastião Salgado!”. O que eu posso fazer se o cara criou uma estética da qual eu gosto e acabo fotografando semelhantemente? Calma, não digo que fotografo o mesmo que ele. Só disse que é praticamente impossível não ter nenhuma referência anterior ao seu trabalho. E às vezes você não precisa nem ser exposto ao outro para fazer o mesmo. Estive numa exposição da Claudia Andujar e as fotos dela eram extremamente parecidas com as minhas. Olha que isso nem foi um comentário meu.
Acho que nossa função atual é recriar sobre os jargões. Rejargar. É apresentar uma nova maneira de ver aquilo. Mesmo que ela lembre alguma coisa. Talvez a única coisa que possibilite algo realmente inédito é mesmo a tecnologia.
Obs: pode ser estranho, mas escrevi esse post sem a certeza total do argumento. Aberto a discussões…

6 Responses to “Neologismo: rejargar”
Gostei do neologismo.
tudo o que a gente quiser comentar sobre isso depende da famosa e clichê visão do copo metade cheio ou metade vazio: nada é inovação se você pensar que para inovar com certeza você usou algo que já conhecia antes, mesmo que inconscientemente… se pensarmos assim, nem a tecnologia traz algo totalmente inédito: tudo é uma recombinação dos átomos, ou dos seus núcleos, ou sei lá do quê, certo?
Mas se a gente pensar que cada ser humano pode interpretear as coisas de uma maneira diferente, cada foto sua pode representar milhares de inovações, uma a cada olhar dedicado a ela… fico com o copo metade cheio: rejarguemos!
Gostei desse seu neologismo. E achei engraçado você tocar nesse assunto aqui, porque outro dia mesmo eu tava pensando em coisa parecida e escrevi sobre isso lá no Bonde. Só não sei se concordo com a idéia de que seja função nossa rejargar. Vou pensar sober isso.
bom, eu sou o querido fotógrafo!!! hehe
Gostei de saber que uma conversa nossa virou um grande post. Acho que ele gerará boas discussões!!
Volto a repetir: essa sua foto é f…
Beijão!!
linda foto…
Bom, Má, pra mim o seu post acabou por responder à sua indagação inicial sobre se podemos ou não ser realmente criativos. Que dúvida? Seu sobrenome devia ser criatividade.
Só como curiosidade, é engraçado como as pessoas podem pensar nas mesmas coisas que outras, mas sempre o farão tendo por base o mundo que os cerca. Explico: o TCC de um amigo meu é exatamente sobre essa questão de se novas invenções podem ser consideradas novas mesmo, já que você sempre se utilizará de conhceimentos e invenções prévias. Só que ele faz direito, e aí a tese dele passa a questionar a possibilidadede patente de invenções e outras coisas que não vão te interessar. Mas achei legal a interdiciplinariedade (e a viagem) do tema.