Israel está com uma nova campanha publicitária. Uma campanha que, segundo o Jerusalem Post, faz apologia ao sexo. “Sexo venderia Israel?”. Não sei não… Apesar da comum associação entre sagrado e profano, chuto que 90% das pessoas que vão para lá estão em busca do Muro das Lamentações, da Via Sacra ou da Mesquita de Omar. É praticamente inevitável dissociar Israel disso. Os outros 10% são aqueles que já conhecem Israel – e aí sim, podem estar atrás de baladas e diversão. No site “Think Israel” é possível ver algumas atrações e lugares legais para comer, ficar e badalar. Dá para ver inclusive o vídeo da campanha (muito bonito, por sinal!). Mas continuo achando difícil associar Israel a festas. Ainda mais sabendo que, pelo menos uma vez por dia, tem uma manchete sobre alguma explosão, muro, exército e morte em Israel. Talvez seja mais fácil e mais crível conseguir a paz por lá para realmente atrair turistas. A diversão é conseqüência…
Monthly archives: January 2006
Eu e minhas lentes
11Jan06A virada do ano é sempre um momento emocionante. Não interessa com quem, você vira para o lado e dá um abraço, pode ser um cachorro, um amigo ou o garçom. Mas todo mundo quer pelo menos dar um “feliz ano novo”. Esse ano tive a felicidade de pular as ondinhas pernambucanas. Em Maracaípe. Com direito a pessoas tocando alfaia na praia, canga na areia, chuva e não-chuva, baladinha de black, banda de reggae (e o de sempre pop-rock). Muito agradável, com amigas lindas que eu amo e novos amigos que fiz por lá. Mas uma coisa vem se repetindo nas minhas passagens de ano.Em 1° de janeiro de 2005, eu estava sozinha com a minha câmera, no último ponto da América antes de ir para a Antártida. Só eu, na minha, pensando em tudo que fiz e não fiz. Esse ano, apesar de toda a muvuca (furi-furi, para os pernambucanos da família Cavalcanti), novamente eu me isolei por alguns instantes. Eu e minha máquina. E só. Será essa alguma tendência minha a momentos filosóficos? Será essa minha loucura? Será que tenho algum karma com máquina fotográficas? Ou será essa apenas uma passagem embriagada? Qualquer que seja a resposta, gostei do resultado fotográfico.
Almas
10Jan06
Olinda é um lugar misterioso. Portinhas coloridas que dão acesso a casas enormes, igrejas com um ar sacro-carregado e almas perambulantes. Almas que ali nasceram, almas que bebem, almas que sobem. E descem, já que em Olinda você recorda constantemente da premissa “tudo que sobe, desce”. Almas que vão para lá pelo mistério de Olinda e para comer tapioca na Sé. Vão para rezar. Para acompanhar o bloco de frevo. Para comprar caminho de mesa de renda branca. Para tocar violão e fazer esculturas em madeira. Há um constante encontro entre almas brancas e almas negras. As brancas falam português e as negras… Escocês, alemão, italiano. Porque uma tenta falar a língua da outra, para travar qualquer espécie de diálogo. Uma troca de energia entre almas que vivem em mundos completamente distintos. Mundos que só se encontram em Olinda.
A fé e o gergelim
06Jan06Moá é um cara muito simples. Paraibano que mora em Recife. Faz bolachas com gergelim e coisinhas integrais deliciosas. Constrói engenhocas para potencializar seu trabalho, feito em casa, daqueles que dá gosto de ver. E tem uma tranqüilidade e uma paz de assustar qualquer paulista. A calma com que fala está no brilho dos olhos e na entonação das palavras. É uma fala curta e engraçada, mas muito mais séria do que muita conversa por aí. “A fé uma coisa prática. Se tem fé, não precisa se preocupar”. E não é que é verdade? A fé terceiriza o sentimento de culpa. Se algo der errado, é a vida. Afinal, eu tive fé. Algo externo a mim não funcionou como o planejado, mas que eu tive fé, ah, isso eu tive. E pronto. Realmente, a fé é algo prático.
Xica nostalgia
06Jan06Dois patinhos na lama
04Jan06Passei meu aniversário mergulhando na lama. Retomando o meu instinto Homo Erectus, pisando no chão duro e quente e na lama molhada e fria. Graças à amiga bicho-do-mato-pernambucana que conhece cada canto de suas origens, fomos parar na lama underground. Explico a razão do underground: existe a lama dos turistas, com plaquinha “Banho de lama”, estacionamento de bugres (!) e venda de cangas com caranguejos felizes na saída (a velha fórmula Disney de ser). Mas, tchananananana… A passamal bicho do mato conhecia outra lama! A lama underground, só conhece quem é de lá, só vai quem sabe chegar. Ok, pegamos a lama meio seca, rolou um momento nostalgia “antigamente não era assim”, mas para mim estava ótimo. Eu estava no topo de um lugar, com uma paisagem sem noção, uma piscininha de lama e minhas amigas. E só! No início, uma sensação estranha de coisa mole e gelada (sem malícias, por favor!). Depois, quatro seres urbanos se comportando como caranguejos e cantando o velho hino de Chico Science. Eita… Num vô mintí: alma lavada e renovada. Ótimo início de idade. 22 aninhos iniciados com o pé na lama.
Recife?
02Jan06Pra mergulhar nas piscinas do Xaréu.
Tomar banho de lama no Paiva.
Ter medo de tubarão em Boa Viagem.
Comer tapioca na Sé.
Dançar maracatu em alguma rua de Olinda.
Ver peixinhos em Porto de Galinhas.
Ser levado pelas águas do rio no Pontal do Maracaípe.
Tomar uma cerveja no Burburinho.
Ser artista no Recife Antigo.
Ter cuscuz no café da manhã da casa de Clóvis.
Achar graça num prédio, porque é o Acaiaca.
Se perder no Mercado São José.
Tirar fotos em Calhetas.
Lavar a alma.
Da lama ao caos
02Jan06
Essa é a frase do dia de hoje. Mais tarde coloco as fotos para vocês entenderem do que estou falando. Quer dizer, terem uma leve idéia. Porque entender mesmo, só estando lá e sentindo aquilo tudo. Alma renovada pela lama, pelo mar, pelo rio. And we´re back in the game.
Pra não dizer que não, fotinho tirada pelo celular em Calhetas. Para dar início à imaginação de vocês.





