Outros Nunos

12Dec05


Para quem ainda não sabe, eu e Manut´s, grande companheira da vida e do som, fazemos parte do novo CD de Nuno Mindelis, deixando a faixa “Tenho medo” com toques de sapateado e percussão corporal. Modestamente falando, a música é duca!

Pra quem quiser conferir, é só ir no Coppola nessa quinta-feira (15/12). Pra quem não puder, fique aí com o release do CD, retirado do site de Nuno:

O guitarrista, compositor e cantor NUNO MINDELIS, conhecido pelo público e reconhecido por especialistas como uma das celebridades do blues no mundo, lança o CD OUTROS NUNOS, marcado pela variedade estilística. “Faz tempo que queria mostrar outros jeitos meus. Agora, acho que chegou o momento, e vejo que tudo ficou bem resolvido. Este disco diz mais de mim próprio do que todos os outros que até hoje fiz, juntos”, diz ele. O CD sai em novembro pela gravadora Eldorado e terá distribuição nacional. A temporada de shows de seu lançamento vem logo em seguida.

O leque das faixas vai das criações próprias, com ingredientes diversos que lembram Itamar Assumpção, Tom Zé, Walter Franco, Lenine, Erasmo Carlos e até mesmo Caetano Veloso, às releituras de Jorge Benjor, Alceu Valença e da banda 365, de pop-rock paulistana dos anos 80 - uma descoberta.

Nos arranjos, além de efeitos típicos de trance e acid music, há piano ao lado de sampling de trompa, além da guitarra blues característica de Nuno, ou solos mais suaves, também uma novidade. A amplitude inclui ainda achados inusitados como o contraponto de comentários de Rappin’ Hood com sapateado e percussão corporal na faixa de abertura Tenho medo, candidata a hit logo na primeira audição - condição de outras músicas do trabalho.

Outros Nunos tem a participação também de Zélia Duncan e as “não-participações” de Lenine, Arnaldo Antunes e Nando Reis, citados na curiosa e bem-humorada faixa Fica para o próximo disco que relata a tentativa, descontinuada, de Nuno tê-los como parceiros.
Nas investidas lítero-musicais cabe espaço até mesmo para uma aventura neo-concreta na faixa Siglas, composição que enumera INPS , IMETRO IBGE, ONU, SERPRO, FEBRABAN e por aí vai.

A história blueseira de Nuno é conhecida. Nasceu em Angola, saiu de lá exilado e veio parar em São Paulo, com breve passagem pelo Canadá e Rio de Janeiro. Daqui, ganhou palcos internacionais, onde é presença obrigatória dos principais festivais do gênero. A história MPB-pop-rock começa a ser contada agora. Retrata um cidadão assumidamente paulistano que decidiu morar retirado do agito do centro, sistemático em suas locomoções, leitor voraz, amante da música erudita, pintor esporádico e preocupado com a política, com a economia, com o futuro dos filhos jovens adultos e com a inconsistência dos sistemas culturais existentes. Trata-se mesmo de um outro Nuno, bem diferente do bluseiro blazée ou hard visto até agora.

A mistura revelada em Outros Nunos retrata o caldo cultural do cidadão Nuno Mindelis. No campo da música, suas lembranças incluem as primeiras audições de canções francesas, seguem por Otis Redding, The Beatles, The Shadows, Jimmi Hendrix, vários da geração Woodstock e enveredam pelos primórdios do blues-rock, rock progressivo, free e fusion jazz, MPB e hard rock. Nos outros campos, também componentes de suas criações, entram desde as primeiras leituras, de Camões, Fernando Pessoa, Almeida Garrett e Eça de Queiroz a abstrações provocadas por pintores clássicos e modernos, como Matisse, Monet, Picasso e Van Gogh, autores contemporâneos como Andrew Solomon, Howard Sounes e Érico Veríssimo, conceitos de livros de Psicologia, além de um mosaico variado, nada ortodoxo, que junta interesse por futebol, enchentes de New Orleans e maracutaias de Brasília.


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