Monthly archives: December 2005

Acho que vi um caranguejo

E pra fechar o ano com chave de ouro, show das três figuras da foto em Recife!

Dia 29/12, a partir de 22h, no Burburinho, no Recife Antigo.

Tem coisa melhor?

Desejo a todos um ano muito bonito, com muita serenidade. Esse é o segredo da coisa.

E quem estiver por Recife, apareça para ver um pouco de sapateado americano na terra do maracatu.

Não-algUM

Conhecer pessoas é como estudar Gramani. Gramani é um músico que propõe o não-1. É o seguinte: a cada nova nota, você deve considerar que ela é um novo 1 na música. Ou seja, está sempre começando de novo. Não há chão, não há piso, não há teto. A cada momento você percebe que as pessoas iniciam um novo 1, derrubam o anterior e você perde a referência da música. Com certeza no fim você junta toda a trajetória e gosta – ou não – da música. Ou seria do autor?

Mas é sempre essa referência do não-1… Ainda não sei constatar se gosto disso ou não. Se é verdade que as diferenças e surpresas alimentam e renovam a sua percepção de vida, por outro, o chão te deixa mais confortável. E a cada novo não-1 você percebe que a sua percepção de realidade pode estar totalmente equivocada; sim, você estava errado. E aquela pessoa não correspondeu ao que você esperava dela.

A real é que o chão é a música 4 x 4, sem muita dissonância, que não te incomoda em momento algum. Entra e sai. E agora, aceito a constatação de que estou adorando as músicas em 7.

Se algum músico cujo repertório contém Gramani estiver lendo isso, por favor, lembre que essa descrição de Gramani foi curta e grossa. Porém, alinhada com o intuito do post.

Bichinhos

Você sabe que é seguro de si quando faz maluquices sem medo.

Você sabe que amadureceu quando não tem mais medo de ser feliz.

Você percebe que pode se fantasiar de polvo na faculdade quando não tem o que temer dela.

Você percebe que tem um amigo quando ele topa fazer isso com você.

Patinha, te amo.

O problema de um louco é ter outro do lado.

Vai um chá?

Presidente do Irã diz que Holocausto é mito
Publicado em 14.12.2005, às 07h51

O presidente do Irã, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, disse que o Holocausto é um mito e voltou a sugerir que se transfira o Estado de Israel à Europa ou aos EUA, já que, nas palavras dele, são os ocidentais que devem pagar o preço.

Fico surpresa com declarações desse tipo. Líderes são modelos. Modelos para uma sociedade que não sabe mais o que fazer, que não encontra a solução. É triste saber que a maneira preferida quase sempre é afastar o outro, mantê-lo longe do que se considera de sua posse. Ou é isso ou o Mahmoud Ahmadinejad está usando drogas. Porque falar que o Holocausto foi um mito só pode ser uma alucinação. E das fortes… Onde é que eu encontro esse cogumelo iraniano?

Receita para o ano novo

Nunca achei que uma gráfica me deixaria feliz do começo ao fim. Essa conseguiu.

Os clichês servem – e muito – em alguns momentos.

Outros Nunos


Para quem ainda não sabe, eu e Manut´s, grande companheira da vida e do som, fazemos parte do novo CD de Nuno Mindelis, deixando a faixa “Tenho medo” com toques de sapateado e percussão corporal. Modestamente falando, a música é duca!

Pra quem quiser conferir, é só ir no Coppola nessa quinta-feira (15/12). Pra quem não puder, fique aí com o release do CD, retirado do site de Nuno:

O guitarrista, compositor e cantor NUNO MINDELIS, conhecido pelo público e reconhecido por especialistas como uma das celebridades do blues no mundo, lança o CD OUTROS NUNOS, marcado pela variedade estilística. “Faz tempo que queria mostrar outros jeitos meus. Agora, acho que chegou o momento, e vejo que tudo ficou bem resolvido. Este disco diz mais de mim próprio do que todos os outros que até hoje fiz, juntos”, diz ele. O CD sai em novembro pela gravadora Eldorado e terá distribuição nacional. A temporada de shows de seu lançamento vem logo em seguida.

O leque das faixas vai das criações próprias, com ingredientes diversos que lembram Itamar Assumpção, Tom Zé, Walter Franco, Lenine, Erasmo Carlos e até mesmo Caetano Veloso, às releituras de Jorge Benjor, Alceu Valença e da banda 365, de pop-rock paulistana dos anos 80 – uma descoberta.

Nos arranjos, além de efeitos típicos de trance e acid music, há piano ao lado de sampling de trompa, além da guitarra blues característica de Nuno, ou solos mais suaves, também uma novidade. A amplitude inclui ainda achados inusitados como o contraponto de comentários de Rappin’ Hood com sapateado e percussão corporal na faixa de abertura Tenho medo, candidata a hit logo na primeira audição – condição de outras músicas do trabalho.

Outros Nunos tem a participação também de Zélia Duncan e as “não-participações” de Lenine, Arnaldo Antunes e Nando Reis, citados na curiosa e bem-humorada faixa Fica para o próximo disco que relata a tentativa, descontinuada, de Nuno tê-los como parceiros.
Nas investidas lítero-musicais cabe espaço até mesmo para uma aventura neo-concreta na faixa Siglas, composição que enumera INPS , IMETRO IBGE, ONU, SERPRO, FEBRABAN e por aí vai.

A história blueseira de Nuno é conhecida. Nasceu em Angola, saiu de lá exilado e veio parar em São Paulo, com breve passagem pelo Canadá e Rio de Janeiro. Daqui, ganhou palcos internacionais, onde é presença obrigatória dos principais festivais do gênero. A história MPB-pop-rock começa a ser contada agora. Retrata um cidadão assumidamente paulistano que decidiu morar retirado do agito do centro, sistemático em suas locomoções, leitor voraz, amante da música erudita, pintor esporádico e preocupado com a política, com a economia, com o futuro dos filhos jovens adultos e com a inconsistência dos sistemas culturais existentes. Trata-se mesmo de um outro Nuno, bem diferente do bluseiro blazée ou hard visto até agora.

A mistura revelada em Outros Nunos retrata o caldo cultural do cidadão Nuno Mindelis. No campo da música, suas lembranças incluem as primeiras audições de canções francesas, seguem por Otis Redding, The Beatles, The Shadows, Jimmi Hendrix, vários da geração Woodstock e enveredam pelos primórdios do blues-rock, rock progressivo, free e fusion jazz, MPB e hard rock. Nos outros campos, também componentes de suas criações, entram desde as primeiras leituras, de Camões, Fernando Pessoa, Almeida Garrett e Eça de Queiroz a abstrações provocadas por pintores clássicos e modernos, como Matisse, Monet, Picasso e Van Gogh, autores contemporâneos como Andrew Solomon, Howard Sounes e Érico Veríssimo, conceitos de livros de Psicologia, além de um mosaico variado, nada ortodoxo, que junta interesse por futebol, enchentes de New Orleans e maracutaias de Brasília.

Porcos que voam

Ok, é realmente brochante quando você tenta postar algo e o blog não deixa (vai saber se é culpa da Internet, da TPM, do blogger.com ou do Bush). Mas exatamente para esse momentos infelizes, existem diversões que alegram o seu dia, como essa. O lance é manter o porquinho voando. Acessem antes que o PETA tire do ar, pois o porquinho pode se machucar na queda – e aí, já viu…

A propósito, o que eu queria postar era a imagem do porquinho voando, mas não sei porque catso isso aqui não me deixa.

Jesus é bipolar

Não entendo nada de signos. Nada mesmo. Sou capricorniana e sempre desconfio se minhas características são por causa do meu signo ou por causa de mim mesma. Esse negócio de ser pré-determinado não me atrai. Sei lá, parece que você só está fazendo aquilo porque no dia do seu nascimento a estrela Éptos estava brilhando a 47 graus oeste. Nada contra as estrelas, sou fascinada pelo brilho. Mas daí a achar que é por causa da Éptos a 47 graus oeste que eu gosto de sorvete de menta… Sei não. Esses dias, lendo o texto de uma amiga pisciana, ela escreveu sobre o nascimento de Jesus no Natal. Na lógica dos signos, Jesus é capricorniano. Mas Jesus renasceu na Páscoa. E aí? Zerou e ele ficou com outro signo? Jesus deve ter, além de ascendente, algo “renascente”. Ou seja, ele pode ser do signo de Capricórnio, com ascendente em Câncer e renascente em Touro. Se os signos realmente influenciam tanto no modo da pessoa e Jesus tem tudo isso aí… Me desculpem, mas Jesus é bipolar.

Um ano resumido em um dia