se eu pudesse fazer uma princesa, ela teria um sorriso assim

atenção senhores passageiros, dirijam-se ao palhaço mais próximo

Muito bom que o nariz de palhaço esteja sendo usado para combater lugares de alto stress: do hospital ao aeroporto.

Esse povo é da Esquadrilha da Risada (vulgo “amigo meu”).

sonho: rgb ou cmyk?

A Dani passou um link sobre 15 curiosidades sobre sonhos. Uma delas é que nem todo mundo sonha em cores. Eu não só sonho de várias maneiras, como eu sonho com determinadas estéticas. Outro dia tive um sonho com o layout de uma campanha de Melissa. O sonho tinha um quê de conto de fada mesmo, com príncipe e tudo, mas no caso eu não estava tão saidinha quanto a branca de neve abaixo. Mas as luzes eram idênticas as da foto.

Outro sonho que eu tive foi com a estética de games. Além da estética, ainda tinha o lance da perspectiva do personagem. Em alguns momentos eu via meu corpo fora de mim e, em outros, eu não estava presente com o corpo, ou seja, só com as mãos aparecendo. Não foi um sonho violento, mas o que me chamou a atenção é que ora eu estava dentro, ora eu estava fora. Além disso, ele tinha essa cor alaranjada/marrom.

Independente do significado de cada um desses sonhos, fico pensando o que exatamente influencia os layouts dos meus sonhos. Pode ser o trabalho, pode ser apenas referências da minha rotina. Ou, quem sabe, um resquício de semiótica no meu travesseiro.

- Garçom, me vê um sonho que faça referência ao impressionismo, pufavô?

Deve ser bonito sonhar assim.

tua sorte

A tua sorte é que eu te amo. Mesmo quando eu ouço o que eu não quero – ou será que apenas penso a mais? – percebo que de nada adianta resistir. Chegam os tropeços, vão os detalhes, mas tem um perfume que não sai. Ficou preso dentro de algum lugar e envolve feito flor ao vento. Quantas vezes a gente consegue esquecer alguém, de verdade? São poucas. E nas muitas que não se esquece, resta decidir o que fazer com o cheiro que fica. É possível rejeita-lo passando qualquer limpa-dor. Em vão. Uma vez lá, ele não sai. Outro caminho é aproveita-lo. Daquela maneira linda e precoce de ser, daquele jeito de paixão infantil que faz qualquer chuva ser bonita e tranqüila. Qualquer céu ser inspirador. Qualquer amor ser simples. Parece um caminho mais acertado que o anterior.

Por isso, exatamente por isso, a tua sorte é que eu te amo.

elzale (alheira)

Elzale, originalmente, é a pele do pescoço da galinha recheada com farinha. Segundo a minha avó, como a família dela era muito grande, a mãe dela resolveu usar a pele do frango inteiro – não somente a do pescoço – para preparar o elzale. Assim nasceu a receita abaixo que não deixa de ser uma “espécie de alheira”, se considerarmos que é um monte de farinha envolvida em pele.

Ingredientes

  • Pele de 1 frango inteiro
  • 3 ½ xícaras de farinha de trigo
  • 5 colheres de sopa de cebola processada
  • 2 dedos de óleo
  • Cenoura
  • Salsão
  • Sal a gosto

Como fazer

Retirar a pele de um frango inteiro com uma faquinha. Costurar a lateral para ele virar uma espécie de “saco”.

Misturar os ingredientes do recheio – farinha, cebola e óleo – e colocar dentro da pele. Costurar novamente de cabo a rabo, para que o recheio não saia pelas laterais. Preparar numa panela um caldo com água, salsão, sal e cenoura (yuch). Quando estiver fervendo, colocar o elzale dentro para cozinhar.

Dica: aqui em casa, faça enchente chuva ou faça sol, tem caldo pronto para tomar a qualquer hora. Por isso, depois de tirar o elzale de lá, aproveite para congelá-lo.

Depois de cozido, é só servir direto ou dourá-lo um pouco no forno para ficar mais bonito.

língua

Eu não sei dizer por que a língua é uma comida “judaica”, mas é fato que essa carne faz parte da maioria das famílias ashkenazis. Posso dizer que seu sabor é inversamente proporcional à reação – comum – de nojinho da peça de carne. Como vocês podem ver, sou fã confessa. Vamos à receita:

Ingredientes

  • 2 línguas
  • 1 pimentão
  • 4 colheres de sopa de cebola processada
  • ½ colher de sopa de alho processado
  • 4 colheres de sopa de farinha de trigo
  • Folhas de salsão
  • Temperos (o que tiver em casa)

    Como fazer

    Preparo da língua

    Se a língua estiver no modo “material bruto”, tirar tudo o que você achar estranho nela. Em seguida, cozinhar a língua na pressão por 30 minutos com água, louro, pimenta da Jamaica e “temperos” para tirar o cheiro. Esperar esfriar no próprio caldo e colocar na geladeira para que a gordura suba. Retirar a gordura e limpar o restante. Reservar.

    PS: Quando você é begginer ou faz compras depois das 22h, é comum que você encontre apenas a língua tal qual ela saiu do boi. Por isso, você tem que encarnar o limpador de limo humano e preparar a carne. Eu mesma não passei por essa experiência – não que eu não seja begginer – mas porque alguém fez por mim. Quando você resolve perguntar para quem conhece o assunto, um novo mundo se apresenta: línguas limpas são vendidas na feira, a um preço gente-fina e “tira-stress-limpa-limo”. Fica a dica.

    Processar o pimentão, a cebola, o alho e o salsão. Colocar essa mistura com a língua na panela de pressão, cobrir a com água e levar ao fogo por quarenta minutos.

    Retirar a língua da panela e fatiá-la, colocando numa travessa. Diluir 4 colheres de farinha de trigo no molho que restou da panela para engrossá-lo um pouco.

    Em seguida, jogar o molho em cima e servir. Fica incrível e extremamente macia.

    knishkale

    O knishkale é um carinho em forma de comida, mais uma das invenções do leste europeu que magicamente transforma farinha, batata, ovo e óleo em coisinhas maravilhosas, cobertas com gergelim.

    Ingredientes

    Recheio:

    • 6 batatas
    • 4 cebolas

    Massa:

    • 3 xícaras de farinha
    • 1 ovo e 1 gema
    • 3 colheres de sopa de óleo

    Como fazer

    Recheio:


    Cozinhar as batatas, retirá-las rapidamente da água e processá-las. Reserve. Processar a cebola (sem que ela fique muito pequena) e fritar. Cada vez que a cebola ficar marronzinha, adicionar água para hidratá-la e esperar secar novamente. Repetir esse processo de 3 a 4 vezes. Misturar a batata à cebola e temperar com sal e pimenta do reino. Deixar esfriar.

    Massa:

    Misturar a farinha, o ovo + a gema e o óleo. Enquanto mistura, adicionar água morna com sal aos poucos, até que a massa tenha liga (aproximadamente 250ml de água). Deixar a massa descansando.


    Abrir a massa em forma redonda e deixar bem fino. Colocar duas colunas de batata e enrolar as laterais. Eu sei, a explicação é meio esquisita, mas tem que ficar assim:

    Cortar a massa ao meio, de modo que sobre um rolinho e uma “língua”de massa, para que você corte em retângulos.

    Agora vem a parte “craftswoman”. Com essa parte é uma das mais ninjas, preste muita atenção no passo a passo:
    1- Pegue um retângulo e concentre-se;
    2- Puxe a linguinha da massa para cima, já cobrindo uma das laterais por onde se vê a batata escapando;
    3- Use a língua de massa para circundar o knishkale e, com serenidade, empurre a massa no topo;
    4- Feche o knishcale apertando delicadamente e trate de deixá-lo redondo, caso contrário a Vó Clara vai te dar uma bronca.

    Umedeça a parte de cima com uma mistura de óleo e clara (quase com textura de maionese) e passe no gergelim. Regar com um pouco de óleo e assar até dourar.

    arroz com macarrãozinho

    Arroz com macarrãozinho é o nome que dávamos quando o prato era servido na infância. De influência árabe, sempre foi uma das especialidades da minha avó. É bem fácil de fazer e bem gostoso de comer.

    Ingredientes

    • 5 “gomos” de macarrão cabelo de anjo
    • 2 ½ xícaras de arroz

    Como fazer

    Fritar o macarrão cru no óleo até que ele fique bem moreno. Não, não vai cebola nesse aqui.

    Acrescentar o arroz e dois “cabrechinho” (caldo) de galinha. Misturar tudo, colocar água e pronto.

    repolho agridoce


    Comidas do leste europeu são normalmente comidas de baixo custo, por motivos óbvios. O repolho abaixo é bem interessante, quebrando as receitas salgadas e dando um toque agridoce ao prato. O uso de ameixa já traz uma influência sefaradi, na receita que minha avó aprendeu com sua sogra. Ingredientes

    • ½ repolho verde ou roxo
    • 250 g de ameixa preta sem caroço
    • 200 g de uva passa preta
    • Sal comum
    • Sal de limão
    • Açúcar

    Como fazer

    Refogar 6 colheres de sopa de cebola processada. Adicionar o repolho picado, a ameixa, a uva passa e sal comum e, com a panela coberta, deixe cozinhar em fogo médio. Colocar, alternadamente, sal de limão e açúcar até chegar ao paladar agridoce ideal.

    ressaca = gosto de cabo de guarda-chuva

    Foto de Michellets.

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